É certo que a humanidade avança quando paradigmas são quebrados. Quando alguém ousa pensar diferente e achar o impossível possível é que algo novo acontece. As vezes os nossos conceitos petrificados ao longo dos anos precisam de serem vez por outra choqualhados e testados para vermos a solidez dos mesmos. Hoje me deparei com uma afirmação dessas de mexer com os meus eixos. Um psicólogo num livro afirmando ser a paixão e não o amor a base de um casamento feliz. O amor seria a base da família e que, por isso, ela permanece mesmo com o fim do casamento. Ou seja, os papéis, amor e identidades de pais e filhos não se acabam com a separação. Eles só acabam quando o amor entre eles for afetado por problemas outros que a separação em si, que no final é mais um sintoma ou resultado de algo anterior que a causa de qualquer coisa.
O pior, é que isso bate com a minha experiência pessoal e com o que vejo nos meus amigos descasados. Fomos ensinados, principalmente na igreja, que o casamento tem como fim a constituição de uma família. No entanto, isso é apenas um dos objetivos que pode se realizar ou não. Se forem estéreis ou optarem por não terem filhos serão apenas um casal, e para que sejam um casal terão que querer um ao outro, a companhia, o cheiro, o corpo e tudo o mais. Os filhos podem ir embora ou morrerem num acidente e aí, se não se desenvolveu essa renovação contínua da paixão descobrem-se estranhos depois de um tempo. Sem as obrigações familiares restam curtirem um ao outro. E se não se curtirem? Em outras palavras, casamento feliz é aquele em que se cultiva o desejo e a paixão em paralelo ao amor e todos os projetos familiares envolvendo sustento, carro, moradia, filhos etc.
Alguém pode dizer; isso é tão evidente que nem precisaria ser dito com tanta surpresa. É que nós que, como eu, crescemos em um ambiente extremamente religioso tendemos a ter problemas com a paixão. Acha-la de menor valor, carnal, sem a dar a mesma a devida importância. Achamos que o amor é tudo na vida. E vivemos assim ... sem paixão por nada (nem pelo evangelho que tanto ouvimos) quando vemos temos perdido o que não perderíamos se tivéssemos vivido com paixão ... a pessoa a quem amamos, o trabalho que queríamos e, por fim, a nossa própria vida!