Resolvi ter um blog para falar da vida como eu a vejo, em prosa e verso, sempre ...
Tuesday, June 28, 2011
A mulher invisível
Hoje passa mais um episódio da série mulher invisível, série que gosto muito. Já amara o filme e tenho me divertido muito com o trabalho de Selton Melo, agora dirigindo também, Debora Falabela e, é claro, Luana Piovanni, com todos os seus atributos "artísticos" a mostra!
Outro dia fiz um comentário no facebook de um amigo sobre essa questão; a da mulher invisível que ronda o imaginário masculino. Eu mesmo, fui apaixonado por uma e por muito tempo até ver que ela me impedia de amar mulheres reais como devem e merecem ser amadas. Mas hoje acho que isso não é privilégio masculino. As mulheres também têm seus homens invisíveis. Seus príncipes encantados não vêm montados em cavalos mas dirigem carrões, possuem uma conta bancária significativa, são sempre engraçados, divertidos e tem como esporte favorito não o futebol mas o feito na alcova com elas, lugar no qual elas juram que têm exclusividade absoluta.
Ironias a parte, todos nós, em algum momento da vida, imaginamos o nosso par perfeito e projetamos em alguém com quem nos relacionamos as características desse ente imaginário, até descobrirmos que ninguém pode ser igual a ele ou ela, porque simplesmente, eles não existem! Aí, quando desistimos deles é que nos tornamos capazes de amar de verdade. O amor apresentado na série é aquele que depende do outro e esse é infantil. Adulto é o amor que decide amar apesar do outro porque o escolheu. Quando esse amor acontece pros dois, aí podemos ter certeza de que o final será feliz. Quando um só ama assim, será difícil suportar a falta de reciprocidade e aí o final é quase inevitável, sendo privilegiados os que mantêm relações cordiais de amizade e de amor fraterno quando se separam.
Mesmo assim gosto muito da série. Afinal, não é toda hora que temos algo tão inteligente e divertido na tv, sem a previsibilidade maçante das novelas e, como se não bastasse, com a Luana no elenco, tendo oportunidade de "mostrar"o seu talento para alegria masculina.
Monday, June 27, 2011
Minha pequena filósofa
Noto minha filha andando de um lado pro outro do apartamento procurando algo. Pergunto-lhe:
- O que procura?
- Nada - disse ela.
- Como assim? Se não sabe o que procura não encontrará nada!
- Muito pelo contrário. Quando procuro algo encontro tudo, menos o que estou procurando. Assim se procurar sem saber, talvez encontre o que quero.
Calei-me atônito.
- Achei! - logo gritou.
O que? - perguntei curioso.
- Meus headfones! - e pôs a escutar seu MP3 no celular - tá vendo o que eu disse?
Claro que a danadinha só aproveitou a pergunta para criar uma frase de efeito. É bem típico dela. Ela sabia desde sempre o que procurava, mas nem por isso achei a lógica dela menos interessante. As vezes quando procuramos não encontramos o que tropeçamos quando relaxamos do stress da procura. Isso deveria nos ajudar a sermos menos ansiosos com as coisas da vida, e com o que queremos muito.
Pra terminar ela fechou com essa:
A primeira música da playlist foi "A Cura" do Lulu Santos! Será algum sinal começar o dia ouvindo isso? - com um sorriso sapeca no rosto.
- O que procura?
- Nada - disse ela.
- Como assim? Se não sabe o que procura não encontrará nada!
- Muito pelo contrário. Quando procuro algo encontro tudo, menos o que estou procurando. Assim se procurar sem saber, talvez encontre o que quero.
Calei-me atônito.
- Achei! - logo gritou.
O que? - perguntei curioso.
- Meus headfones! - e pôs a escutar seu MP3 no celular - tá vendo o que eu disse?
Claro que a danadinha só aproveitou a pergunta para criar uma frase de efeito. É bem típico dela. Ela sabia desde sempre o que procurava, mas nem por isso achei a lógica dela menos interessante. As vezes quando procuramos não encontramos o que tropeçamos quando relaxamos do stress da procura. Isso deveria nos ajudar a sermos menos ansiosos com as coisas da vida, e com o que queremos muito.
Pra terminar ela fechou com essa:
A primeira música da playlist foi "A Cura" do Lulu Santos! Será algum sinal começar o dia ouvindo isso? - com um sorriso sapeca no rosto.
Monday, June 13, 2011
Marido rico.
Estamos curtindo o final do final de semana. Praia de Copacabana, um barzinho, um violão, não meu dessa vez mas o da música ao vivo, muito boa por sinal. Na mesa a maioria alunos de mestrado e doutorado de ciências sociais e eu, tentando participar da conversa. De vez em quando a conversa passeava em áreas que conhecia bem, afinal tenho não tenho alma de nerd a toa. Mas a coisa ficava boa mesmo quando o assunto era relacionamento, aí me sentia em casa novamente.
- Minha tia - nos contava Denise - me detonou outro dia! E continuou:
- Ô menina, esse historia de estudo não tem futuro não. Vocês precisam é comprar umas roupas, andar mais arrumadinhas e para uns lugares chiques para arrumar um marido rico. Não vê eu? Pensa que essa pele e esse corpo saiu de graça? Aqui tem botox e tem plástica tudo pago com o dinheiro ganho pelo meu maridinho, não é meu bem? - fazendo sinal para o marido que acompanhava a conversa por detrás de um jornal.
Ele pareceu se divertir com a observação, segundo a minha amiga que se divertiu mais ainda.
A figura em questão parece ter saído de algum folhetim televisivo. Mora num big apartamento em Copacabana e abriga a sobrinha que está fazendo doutorado em antropologia. Mas não sem lhe dar os conselhos, que segundo ela, a salvarão da maior desgraça que pode acontecer a uma mulher; não casar com um homem rico!
Essa caricatura de gente, empolgada com o próprio discurso ainda disparou contra a Denise:
- Não vê a sua mãe?
xiiiiiiiiiiii!!!!!!!!
Quando a mãe entre em jogo fica difícil a resposta não vir. E ela veio:
- Minha mãe foi desde sempre professora. Nunca nos faltou nada em casa e eu estou aqui hoje, fazendo esse doutorado, muito por conta dela! - foi o suficiente para fazê-la calar e mudar de assunto.
Fiquei pensando que para a tia dela a função primordial do marido não seja a de homem. Claro, posso estar enganado, mas como sócia do mesmo num bem sucedido escritório de advocacia, o casamento se tornou bem mais um bom negócio pra ela, que garante o conforto dos dois, que mesmo um relacionamento. Ele é o bem dela, o maior de todos, mas será ainda o amor? Quantas mulheres não estariam atrás dessa segurança que ela tem, acima de qualquer sonho romântico que tenha?
Elucubrações a parte, eu daria um péssimo partido na visão da cidadã. No entanto, juro que capricharia nas demais funções, não citadas por ela, sem deixar nada faltar a mulher que escolher. É só ela aparecer!
Saturday, June 11, 2011
O fósforo
Aconteceu algo no mínimo inusitado ontem a noite, que me fez achar valer a pena compartilhar com vocês. Chegava lá pelas dez da noite da academia e, depois de um lanche para repor as energias, segui para o banheiro para um merecido banho. Entro no chuveiro e aí noto que algo estava faltando; a caixa de fósforo!
Não entenderam? Explico. Aqui no Rio é comum ter-se chuveiro a gás e não elétrico. Para ligá-lo então usamos o fósforo para acender o gás, e como a água anda quase em ponto de fusão de tão gelada não dava para encarar o banho frio. Um nordestino que passou o último ano no Pará só encararia isso por um bom motivo, que absolutamente não tinha. Procurei a caixa e a achei. No chão do banheiro completamente molhada!
Aí meu senso de ridículo começou a dar pane! Sem querer me vestir de novo primeiro fui a cozinha atrás de outra caixa ... não tinha! Me lembrei que esse era um item da lista de coisas que precisava comprar. Inconformado insisti em tentar acender aqueles fósforos encharcados, o que obviamente não consegui. Imaginem a cena desse homem tentando enxugar aqueles palitos de fósforo para ver se acendiam. Imaginaram? Esqueçam por favor!
Fui ao supermercado e acabei aproveitando para comprar tudo o que faltava na casa de uma vez. Na saída, bem na porta mesmo, fui interceptado por um rapaz que me perguntou se haveria um supermercado nas redondezas.
- Você quase entrou nele - respondi.
Ufa! - pensei - existe gente ainda mais desorientada que eu, graças a Deus! E voltei rindo pra casa.
Saturday, May 21, 2011
O mercado para boa música nos país
Cheguei em cima da hora do show da Banda de boca no CCBB aqui no Rio. Resultado: ingressos esgotados! Não consegui assisti um dos grupos músicais que mais admiro e do qual sou fã de carteirinha. Tudo bem fiquei feliz por eles, afinal lotaram o teatro ... mas espere um pouco ... qual a lotação do teatro em questão? Perguntei e recebi a seguinte resposta: 170 lugares. Isso mesmo, apenas 170 lugares para assistir sem dúvida o melhor grupo vocal de mpb em atividade do país. Como o ingresso era dez reais ficou claro pra mim o patrocínio do Banco do Brasil que não deve ter achado que o grupo reunia um número de ouvintes superior a lotação da casa. Detalhe, eu não fui o único a voltar frustrado de não vê-los.
Fiquei pensando então, num final de semana especial onde o Rio se encontra em festa, com shows gratuitos além de Paul MacCarney no Engenhão, pude ver a ebulição cultural que garante o mercado para a boa música, apesar da insistência dos meios de comunicação em propagar o popularesco em detrimento de expor a população, e os seus ouvidos, a uma música de melhor qualidade. Tudo isso, existe por questões econômicas eu sei, mas o alento vem de que, ao descobrir um som de qualidade, o público aprecia e gosta do que ouve e se torna cosumidor da boa música!
Talvez o caminho para a divulgação dos novos artistas seja a internet. Nesse meio, ainda não acessível a totalidade da população como a tv, a democratização do conteúdo que é divulgado pelos próprios internautas, celebridades estão se formando a margem dos interesses econômicos que dominam os meios tradicionais de comunicação. Um exemplo recente é a Banda Mais Bonita da Cidade de Curitiba, que vem aumentando a audiência e popularidade de suas músicas ao divulgar no youtube clipes muito bem feitos com músicas interessantíssimas que cairam no gosto popular imediatamente.
Vejam o poder das mídias sociais no caso da música "Oração" que sofreu uma avalanche de execuções após recomendações no twitter e facebook.
Espero que aconteça o mesmo com a Banda de Boca e todos os que tem propostas músicais de qualidade no país.
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Oração - A Banda mais bonita da cidade
Monday, April 18, 2011
Lições aprendidas (ou relembradas!) nesse final de semana.
O amor se desenvolve em meio ao respeito às diferenças.
Deus derrubou todas as barreiras que poderiamos ter para nos relacionarmos com Ele e com os outros.
Suportar o outro, não significa aguentar estóicamente a presença de alguém ou algo que não gosta em outra pessoa, mas sim ser um "suporte", ou apoio, para o crescimento do outro. É valorizá-lo como pessoa exaltando suas qualidades e não tão somente expor os seus defeitos, diminuindo assim a luz sobre as nossas próprias sombras interiores.
Não se cresce no conhecimento de Deus sem a prática do amor. Não se ama a Deus se não se consegue amar o próximo.
Monday, April 04, 2011
Crescer é duro mas necessário!
Esse final de semana deu-se inicio na comunidade que estou participando aqui no Rio um ciclo de palestras sobre crescimento. Esse é um tema muito importante dentro do contexto cristão e creio que será muito proveitosa essa reflexão pra todos nós. Por coincidência alguns fatos que ocoreram comigo precipitaram minhas reflexões sobre o assunto sob o prisma pessoal.O que significa crescer? Crescer significa deixar pra trás as dependências. Quando falo isso não estou falando só dos pais. Hoje tem muita gente que se nega a sair da casa dos pais por comodidade. Não sentem a necessidade de independência típica da maturidade. Mas mesmo aqueles que saem, sem necessariamente o fazerem para constituir família, não exatamente refletem nesse ato um crescimento ou amadurecimento interior. As vezes continuam crianças mesmo que independentes, com bons empregos e condições financeira o que se reflete nos seus relacionamentos pueris. Falo então de qualquer tipo de dependência psíquica. Há pessoas, por exemplo, que custam a se desvincular de relacionamentos que não existem mais e vivem como se eles existissem. Ao romper-se esse tipo de dependência aí sim mostramos que crescemos.
Crescer é aceitar a realidade como ela é. Crescer é asssumir responsabilidades. Ao fazer isso perdemos os nossos alibis, os nossos bodes expiatórios, aqueles em quem colocamos as culpas dos nossos fracassos e das nossas inseguranças. Crescer é saber que o erro é necessário e faz parte da vida, mas permanecer nele é burrice!
Crescer não é fácil mas é necessário. A criança em nós deve se ter como principal virtude a capacidade de crescer .... sempre!!!
Friday, April 01, 2011
Uma Parábola
A vida do homem era agradável e sua adoração era razoável. As duas coisa sempre andam juntas.
Deus não estava contente, de modo que permitiu que a vida do homem se tornasse desagradável. O homem reagiu de imediato com espanto. “como é possível? Como isso pôde acontecer comigo?”
Por trás do seu espanto se escondia a presunção, mas o homem não conseguia enxerga-la, pois pensava que era confiança: “Logo isso passa. Deus é fiel. A vida voltará a ser agradável”. Sua adoração continuava superficial.
Deus não estava contente e permitiu que mais coisas desagradáveis acontecessem na vida do homem, que tentou lidar com suas frustrações de forma positiva, como alguém que confia em Deus. “Serei paciente”, resolveu.
Não percebeu, no entanto, que seus esforços para ser paciente vinham da convicção de que ele merecia uma vida agradável. Não ouviu seu próprio coração dizer: “se eu for paciente, Deus tornará as coisas agradáveis outra vez. Essa é a função dele.”
Sua adoração tornou-se uma forma de convencer Deus a restaurar sua vida agradável.
Deus não estava contente, de modo que afastou um pouco mais sua cerca de proteção ao redor do homem. A vida do homem transformou-se numa desgraça.
O homem ficou zangado. Deus parecia indiferente, impassível, insensível. A porta do céu se fechou e o homem sabia que não havia meio de força-lo a se abrir.
Ele só conseguia pensar em dias melhores – não nos dias melhores por vir, mas naqueles do passado, tempos que não existiam mais, que não davam qualquer sinal de que voltariam.
Seus maiores sonhos eram poder voltar àqueles tempos, voltar à vida agradável que um dia havia desfrutado e aos tempos em que sentira aquilo que chamava de alegria.
Não podia imaginar um sonho melhor do que voltar ao que era antes, mas sabia que a vida nunca anda para trás. Os adultos nunca voltam a ser crianças e os idosos nunca recuperam a energia de seus anos mais produtivos.
Assim, o homem perdeu as esperanças. Deus havia retirado a sua benção e não havia qualquer sinal de que mudaria de ideia.
O homem entrou em depressão. Sua adoração cessou.
Deus não estava contente, do modo que liberou as forças do inferno sobre a vida do homem.
Tentações que antes eram controláveis tornaram-se irresistíveis. A dor de viver era tão grande que o prazer – ou, na verdade, o alívio – oferecido pelas tentações parecia razoável e necessário. Porém, depois do prazer vinha um novo tipo de dor, uma aflição que obscurecia sua alma de tal modo que nem o sol mais radiante podia penetrar.
Tudo que o homem conseguia ver era a sua dor. Não conseguia ver Deus. Pensava ser capaz de vê-lo, mas o deus que enxergava era aquele cuja única função consistia em aliviar sua dor. Podia imaginar esse deus, mas não conseguia encontra-lo.
Dirigia-se ao único deus que conhecia e suplicava por sua ajuda. Por trás de suas súplicas quase podia ouvir seu coração dizendo: “Você me deve essa ajuda. Jamais poderei crer que merecia que tudo isso acontecesse. Essa dor não é minha culpa. Ela é culpa sua.”
Sua adoração havia sempre assumido a forma de exigência, mas essa exigência tornou-se tão óbvio que o homem era quase capaz de reconhecê-la.
Deus não estava contente e, portanto deixou que as lutas persistissem. Além disso, Deus permitiu que mais problemas entrassem na vida do homem.
Com a parte do coração que sonhava seus maiores sonhos, o homem se assegurou de que jamais teria de enfrentar essas novas dificuldades que agora se encontravam em sua vida. Durante anos, havia dito em seu coração (sem nunca na verdade ter ouvido): “Isso jamais poderia acontecer comigo. Se acontecesse, minha vida estaria inacabada. Se isso acontecesse, não teria outra escolha senão concluir que Deus não é bom. Seria obrigado a rejeitar Deus e ninguém, nem mesmo Deus, poderia me culpar.”
Mesmo assim, o homem não conseguia ouvir o que seu coração estava dizendo. Em vez disso, conseguia ouvir uma voz sedutora que fazia a pior tentação que já havia enfrentado – perder a esperança em Deus – parecer nobre, corajosamente desafiadora. Essa era a única maneira que restava do homem encontrar-se.
A batalha tornou-se cada vez mais acirrada, mas ainda restavam uma centelha de esperança. O homem se agarrou a essa esperança e, ao fazê-lo, não pôde ouvir seu coração dizer: “Tenho todo direito de desistir de minha fé. Não entanto, estou escolhendo o caminho verdadeiramente nobre. Ainda creio em ti, Senhor. Ainda creio que tu estás presente e que minhas mais fervorosas esperanças de alegrias – quais e que minhas mais fervorosas esperanças de alegrias – quaisquer que ainda restem – encontram-se em ti. Por acaso isso te impressiona? Se isso não te impressiona, meu Deus como é que vou te comover?”
Sua adoração tornou-se mais desesperada do que nunca, mas o homem continuava orgulhoso.
Deus não estava contente e por isso permitiu que as atribulações do homem persistissem e que sua dor continuasse sem alívio. Deus se manteve afastado do homem. Não ofereceu nenhum conforto nem motivo palpável por esperanças. Foi difícil para Deus não melhorar todas as coisas na vida do homem. No entanto, foi ainda mais difícil não se revelar diretamente ao homem e assegurá-lo de sua presença.
Mas ele não fez isso. Deus tinha para o homem um sonho maior do que uma volta à vida agradável. Deseja que homem encontrasse a verdadeira alegria. Ansiava por restaurar as esperanças do homem naquilo que era mais importante. No entanto, o homem ainda não sabia o que era isso.
A névoa ao redor da alma do homem tornou-se tão espessa que ele podia sentí-la, como paredes o cercando e se fechando ao seu redor. Restava apenas o mistério; sem dúvida, havia medo e até mesmo pavor, porém o sentimento mais acentuado era o de mistério, o mistério de uma vida terrível e de um Deus bom.
Onde estava Deus? Quando o homem tornou-se mais consciente de sua necessidade de Deus, o Senhor desapareceu. Não fazia sentido algum. Afinal, Deus estava presente ou não? Se estava, será que se importava?
O homem não podia desistir de Deus, Lembrou-se de Jacó e começou a lutar. Porém, lutou na escuridão, em trevas tão densas que não conseguia mais enxergar seus sonhos de uma vida agradável.
Na escuridão profunda não se pode ver, mas se pode ouvir, O homem pôde ouvir, pela primeira vez o que seu coração estava dizendo.
“Abençoa-me!”, clamou. Do mais profundo de sua alma, podia ouvir palavras que refletiam uma determinação de não se desprender de Deus.
“Abençoa-me!” Não porque eu sou bom, mas porque Tu és bom! Abençoa-me! não porque mereço tua benção, mas porque e da tua natureza abençoar. Tu não podes evitar. Não apelo para quem eu sou. Tu não meves coisa alguma. Apelo apenas para quem tu és.”
A dor ainda estava lá, mas então o homem viu a Deus. E o clamor por benção não era mais uma voz exigindo uma vida agradável. Era um clamor por aquilo que Deus queria fazer, por quem, ele era. O homem sentia que algo diferente – o começo da humildade. Mas justamente a natureza desse sentimento impedia-o de ver o que era.
O homem havia esquecido de si mesmo e descoberto seu desejo por Deus. Não encontrou Deus de imediato, mas tinha esperança – esperava que pudesse experimentar aquilo pelo que sua alma ansiava mais profundamente.
Então, seus olhos se abriram e ele viu água fresca borbulhando de uma fonte no deserto de sua alma. Era um novo sonho. Podia ver seus contornos tomarem forma. Era um sonho de conhecer a Deus verdadeiramente e de revelá-lo num mundo desagradável. O sonho adquiriu um enfoque específico; o homem viu de que modo poderia conhecer a Deus e revelá-lo a outros de forma só sua e de mais ninguém. Foi como voltar para cada.
Percebeu, no mesmo instante, que seu poder de falar a outros em nome de Deus e em meio à vida desagradável deles dependia de capacidade de falar do meio de seus dissabores. Nunca antes havia se sentido grato por suas dificuldades.
Seu sofrimento tornou-se para eles, uma passagem para o coração de Deus. Compartilhou a dor de Deus em seu grande projeto de redenção. Ao sofrer junto com Deus por uma mesma causa, o homem sentiu-se ainda mais próximo do Senhor.
Um novo pensamento lhe ocorreu. “Unir-me-ei a quaisquer força que estejam em oposição à raiz desse desprazer. Aliar-me-ei à bondade contra o mal. Não esperarei até ver mais claramente; o serviço que minhas mãos encontrarem. No entanto, permanecerei perto da minha fonte. Minha alma tem sede. Uma vida agradável não é água para minha alma; aquilo que vem de Deus – quem quer que seja Deus – isso sim, é a única e verdadeira água. E ela me basta”.
O homem adorou a Deus e Deus se agradou dele. Assim, Deus manteve a água borbulhando da fonte para a alma do homem. Quando o homem não bebia todas as manhas dessa fonte ou não voltava todas as noites para saciar-se outra vez, sua sede tornava-se insuportável.
Algumas coisas em sua vida melhoraram, enquanto outra não mudaram. Outras pioraram.
Mas o homem possuía novos sonhos e eram sonhos maiores do que uma vida agradável. Encontrou a coragem para busca-los. Tornou-se um homem esperançoso e sua esperança trouxe consigo a alegria.
Deus estava contente. E o homem também.
Larry Crabb
(introdução do livro - Sonhos despedaçados)
Tuesday, March 29, 2011
Insight
É luz
Dissipa a escuridão
É paz
Acalma o coração
Consciência mãe da decisão
Mistério sem explicação
De onde vem, quando, por que dessa iluminação?
Não sei, talvez nunca saberei ao certo
Por que só hoje parece claro o antes incorberto?
É o tempo e o espaço
O infinito da incompreensão
Pura conspiração do divino
Pra nossa transformação
Dando graça e sentido
a uma
vida sem razão
Dissipa a escuridão
É paz
Acalma o coração
Consciência mãe da decisão
Mistério sem explicação
De onde vem, quando, por que dessa iluminação?
Não sei, talvez nunca saberei ao certo
Por que só hoje parece claro o antes incorberto?
É o tempo e o espaço
O infinito da incompreensão
Pura conspiração do divino
Pra nossa transformação
Dando graça e sentido
a uma
vida sem razão
Saturday, March 19, 2011
Um inquilino indesejável
Essa semana terminava uma partitura varando a madrugada quando resolvi beber algo. Liguei a luz da cozinha e ouvi um barulho estranho. Desconfiado cheguei mais perto na certeza que não estava sozinho ali. Ao afastar um amontoado de sacolas plásticas, dessas de supermecado, nosso amigo surgiu voando num salto mortal para trás da geladeira. Foi rápido, mas a sensação de ter um rato na cozinha as três da manhã não é nada agradável.
O que fazer então? Pegar um cabo de vassoura e tentar matar o bicho. Eu me conheço. Primeiro não acertaria o infeliz, depois ainda correria o risco dele fugir pro meu quarto! Ainda tinha dúvidas se uma paulada só resolveria, pois achei o cidadão bem grandinho. Com sono, e sem coragem para essa odisseia deixei o moço pensar que o espreitava deixando a luz ligada, fechei a porta do quarto e fui dormir.
Pela manhão tomei as providências que me cabiam. Comprei veneno, armei as arapucas pro bichinho e esperei sinceramente que ele tivesse voltado pro lugar de onde veio para não ter o desprazer de encontra-lo frente a frente.
Esse tipo de problema acaba sendo fácil de resolver. Expulsamos o inquilino ou o matamos. Difícil é quando o mesmo se encontra dentro da gente como um pensamento ruim ou ansiedade que roi a alma, por exemplo. Aí não tem jeito, ou aprendemos a ignorá-los ou entrega-los a Deus, ou teremos que conviver com os mesmos no nosso dia a dia, sem planos de fuga ou raticida para esses ratos da nossa mente.
O que fazer então? Pegar um cabo de vassoura e tentar matar o bicho. Eu me conheço. Primeiro não acertaria o infeliz, depois ainda correria o risco dele fugir pro meu quarto! Ainda tinha dúvidas se uma paulada só resolveria, pois achei o cidadão bem grandinho. Com sono, e sem coragem para essa odisseia deixei o moço pensar que o espreitava deixando a luz ligada, fechei a porta do quarto e fui dormir.
Pela manhão tomei as providências que me cabiam. Comprei veneno, armei as arapucas pro bichinho e esperei sinceramente que ele tivesse voltado pro lugar de onde veio para não ter o desprazer de encontra-lo frente a frente.
Esse tipo de problema acaba sendo fácil de resolver. Expulsamos o inquilino ou o matamos. Difícil é quando o mesmo se encontra dentro da gente como um pensamento ruim ou ansiedade que roi a alma, por exemplo. Aí não tem jeito, ou aprendemos a ignorá-los ou entrega-los a Deus, ou teremos que conviver com os mesmos no nosso dia a dia, sem planos de fuga ou raticida para esses ratos da nossa mente.
Monday, March 07, 2011
Conversa de bêbados!
O que uma reunião de homens para se embebedarem e discursarem sobre o desejo erótico ou o próprio Eros como um deus, sendo eles reconhecidamente pederastas em sua maioria, teria a nos dizer sobre o tema e sobre as relações amorosas que unem casais de qualquer natureza? Essa é a pergunta que se faz quando lemos "o banquete" de Platão, clássico da literatura universal e filosófica que resolvi ler nesse carnaval. Por que? Pura coincidência, procurava alguma coisa para anotar um endereço no aeroporto e achei que comprar o livro me traria um custo benefício estremamente atrativo. Acertei!
Muito embora, num primeiro momento, fiquei chocado com a naturalidade com que o homossexualismo é tratado no livro, pois não me lembrava como isto era comum na sociedade grega sendo o mesmo até estimulado na época, ao refletir no tema proposto vi que o erotismo presente nas nossas vidas quase nunca é pensado e entendido filosóficamente, e isso por incrível que pareça, faz diferença!
Segundo Platão, Eros tem como objetivo a busca do belo como desejo, entenda-se esse belo não como um padrão estético socialmente convencionado mas como aquilo que encanta e apaixona no outro e que queremos ter para nós, pois nos falta. Sua paixão escancarada por Sócrates baseava-se, por exemplo, não nos atributos físicos do mesmo, posto que era feio, mas na sua inteligência que o tornava o centro das suas atenções. Também, num dos discursos proferidos no livro, a relação entre o erasta (agente do desejo erótico - amante) e erômeno (alvo do desejo - amado) decorre da busca da metade perdida, como se fossemos incompletos pois na origem fomos separados pelos deuses. Essas e outras ideias desprovidas da mitologia grega, e sem a influência da cultura da época, foram sendo passadas pelas gerações e hoje de forma inconsciente ou não fundamentam as nossas relações com o erotismo.
Em particular, achei interessantíssimo a ampliação do significado do erótico como força propulsora do nosso querer. No entanto, o reconhecimento dos filósofos personagens do livro, entre eles o mais famoso Sócrates, de que embora manisfestado no corpo o alvo do erasta pode e, em tese, deveria ser outro, ou seja, a paixão não deveria brotar do encantamento do belo vindo da beleza física, associada a juventude (daí a pederastia), mas que para durar deveria repousar no campo da psiquê ou da alma humana é, pra mim, a grande contribuição do livro.
A leitura desprovida de crítica faz-nos encarar os diálogos como um grande conversa de bebados. Porém, a forma retórica com que proferem os discursos, independentemente dos argumentos, parece exaltar a arte da persuasão que tanto se esmeram os advogados no seu dia a dia, no entanto existe um interesse claro pela busca da verdade e da essência das coisas, e não do simples convencimento como faziam os sofistas, estes sim, bem mais parecidos com os profissionais citados anteriormente, pelo menos na sua maioria.
Entendo que devemos saber o que nos erotiza, o que nos atrai e encanta. Dessa forma entenderemos porque algumas pessoas nos acendem o desejo e outras não. Também que esse desejo pode ser uma expressão de uma lacuna interior, para além da necessidade comum de nos relacionarmos com alguém, ou daquilo que internalizamos como alvo da nossa admiração. Entender que esse processo é comum a todos nós também nos ajuda a conviver com nossas pulsões. vive-las ou controla-las dependendo do momento e do alvo das mesmas. Se vamos preencher esse encantamento de significado e romantismo é uma decisão que nos cabe tomar. Fomos feitos assim e uma das razões de nos casarmos é exatamente essa, de satisfazer esse erotismo inerente a cada um de nós.
Pensando bem, leitura mais apropiada do que esta para o período de Carnaval, acho que não encontraria.
De tranquilidade de Brasilia, onde carnaval é algo que não vi.
Muito embora, num primeiro momento, fiquei chocado com a naturalidade com que o homossexualismo é tratado no livro, pois não me lembrava como isto era comum na sociedade grega sendo o mesmo até estimulado na época, ao refletir no tema proposto vi que o erotismo presente nas nossas vidas quase nunca é pensado e entendido filosóficamente, e isso por incrível que pareça, faz diferença!
Segundo Platão, Eros tem como objetivo a busca do belo como desejo, entenda-se esse belo não como um padrão estético socialmente convencionado mas como aquilo que encanta e apaixona no outro e que queremos ter para nós, pois nos falta. Sua paixão escancarada por Sócrates baseava-se, por exemplo, não nos atributos físicos do mesmo, posto que era feio, mas na sua inteligência que o tornava o centro das suas atenções. Também, num dos discursos proferidos no livro, a relação entre o erasta (agente do desejo erótico - amante) e erômeno (alvo do desejo - amado) decorre da busca da metade perdida, como se fossemos incompletos pois na origem fomos separados pelos deuses. Essas e outras ideias desprovidas da mitologia grega, e sem a influência da cultura da época, foram sendo passadas pelas gerações e hoje de forma inconsciente ou não fundamentam as nossas relações com o erotismo.
Em particular, achei interessantíssimo a ampliação do significado do erótico como força propulsora do nosso querer. No entanto, o reconhecimento dos filósofos personagens do livro, entre eles o mais famoso Sócrates, de que embora manisfestado no corpo o alvo do erasta pode e, em tese, deveria ser outro, ou seja, a paixão não deveria brotar do encantamento do belo vindo da beleza física, associada a juventude (daí a pederastia), mas que para durar deveria repousar no campo da psiquê ou da alma humana é, pra mim, a grande contribuição do livro.
A leitura desprovida de crítica faz-nos encarar os diálogos como um grande conversa de bebados. Porém, a forma retórica com que proferem os discursos, independentemente dos argumentos, parece exaltar a arte da persuasão que tanto se esmeram os advogados no seu dia a dia, no entanto existe um interesse claro pela busca da verdade e da essência das coisas, e não do simples convencimento como faziam os sofistas, estes sim, bem mais parecidos com os profissionais citados anteriormente, pelo menos na sua maioria.
Entendo que devemos saber o que nos erotiza, o que nos atrai e encanta. Dessa forma entenderemos porque algumas pessoas nos acendem o desejo e outras não. Também que esse desejo pode ser uma expressão de uma lacuna interior, para além da necessidade comum de nos relacionarmos com alguém, ou daquilo que internalizamos como alvo da nossa admiração. Entender que esse processo é comum a todos nós também nos ajuda a conviver com nossas pulsões. vive-las ou controla-las dependendo do momento e do alvo das mesmas. Se vamos preencher esse encantamento de significado e romantismo é uma decisão que nos cabe tomar. Fomos feitos assim e uma das razões de nos casarmos é exatamente essa, de satisfazer esse erotismo inerente a cada um de nós.
Pensando bem, leitura mais apropiada do que esta para o período de Carnaval, acho que não encontraria.
De tranquilidade de Brasilia, onde carnaval é algo que não vi.
Saturday, February 26, 2011
Uma resposta pra vida
Como seria bom se tivéssemos resposta pra tudo. Que mudássemos a nossa vida sem dor ou sofrimento.
Que o nosso comportamento fosse sempre o melhor. Nossa vida, um conto de fadas, sempre com um final feliz. Não, não estou deprimido, apenas constato os nossos maus hábitos são mais fáceis de se obter que de se livrar. Que a nossa vontade nem sempre é suficientemente forte, que nem sempre entendemos o nosso modo de agir. Isso é antigo, na bíblia Paulo já falava isso.
A verdade é que sempre queremos respostas para os nossos problemas e dilemas só que elas nem sempre são tão simples como os programas de tv e os livros de auto-ajuda parecem sugerir. Não me digam que me falta encontrar Jesus pois minha relação com ele, apesar de conturbada, já tem muito tempo. O fato é que não só Paulo, o apóstolo, teve o privilégio de ter um espinho na carne, só que ouvir de Deus "a minha graça te basta" não é fácil, pra não dizer algo mais apropriado.
O que aconteceu é que encontrei pessoas como eu, com os mesmos problemas, para as quais a unica resposta que encontro é composta de uma única palavra: esperança!
Que o nosso comportamento fosse sempre o melhor. Nossa vida, um conto de fadas, sempre com um final feliz. Não, não estou deprimido, apenas constato os nossos maus hábitos são mais fáceis de se obter que de se livrar. Que a nossa vontade nem sempre é suficientemente forte, que nem sempre entendemos o nosso modo de agir. Isso é antigo, na bíblia Paulo já falava isso.
A verdade é que sempre queremos respostas para os nossos problemas e dilemas só que elas nem sempre são tão simples como os programas de tv e os livros de auto-ajuda parecem sugerir. Não me digam que me falta encontrar Jesus pois minha relação com ele, apesar de conturbada, já tem muito tempo. O fato é que não só Paulo, o apóstolo, teve o privilégio de ter um espinho na carne, só que ouvir de Deus "a minha graça te basta" não é fácil, pra não dizer algo mais apropriado.
O que aconteceu é que encontrei pessoas como eu, com os mesmos problemas, para as quais a unica resposta que encontro é composta de uma única palavra: esperança!
Thursday, February 10, 2011
Epifania
Essa eu devo ao Bom dia Brasil da globo e ao meu querido chefe, com quem divido o apartamento aqui no Rio. Duas matérias chamaram-nos a atenção e ficamos comentando as mesmas. De repente descobrimos que dois assuntos aparentemente descorrelacionados tinham tudo a ver.
A primeira matéria versava sobre o entupimento dos anéis viários das grandes cidades, em particular citava Belo Horizonte como exemplo. Sergio comentou que o problema estava no crescimento exagerado dos grandes centros que centralizam o PIB nacional. Ele ele está mais que certo. Em 2003, segundo o IBGE, apenas dez cidades eram responsáveis por mais de 25% do PIB nacional, todas capitais.
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=481&id_pagina=1
A situação de lá pra cá não mudou muito apesar do desenvolvimento que se vê em regiões como o nordeste do país, esse desenvolvimento pouco se expande para o interior. Falta aí planejamento. Demos aula ao mundo com Lucio Costa e Niemayer, mas parece que nós mesmos não replicamos o conhecimento internamente. Insistimos em favelar as cidades não desenvolvendo as periféricas, dando-lhes infra-estrutura de transporte, educação e saude e distribuindo o parque industrial nas mesmas, garantindo o trabalho segundo a vocação de cada uma. Dessa forma teríamos sempre cidades com cerca de 500 mil habitantes no máximo com vida própria e o desenvolvimento distribuido nos estados entre os municípios. Da forma que fazemos centralizando tudo em poucos centros criamos o caos urbano, a violência, a calamidade nas chuvas e intepéries e o entupimento de suas artérias que são as vias de acesso ás mesmas.
A outra reportagem versava sobre os médicos de família. Essa figura comum tempos atrás, antes que os planos de saúdem loteassem a privilegiada classe média que tenta não depender do Sus. A reportagem mostrava os benefícios dos médicos de familia, inclusive ao bolso dos que o utilizam. Tirando as questões microeconômicas envolvidas que desistimulam essa prática tão benéfica, novamente Sergio fez a correlação imediata com a reportagem anterior. É o mesmo problema. De novo acertou na mosca!
Existe um programa no SUS chamado PSF - Programa Saúde da Família, implantado ainda na gestão do ex ministro Ciro Gomes cujo o objetivo é justamente incentivar a existência do médico de família nas cidades loteando-as para médicos credenciados.
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=149
Isso acabou não vingando como deveria. Por que? O salário é bem razoável, partindo do princípio que este programa voltou-se para o interior dos estados. Exatamente por isso é difícil arranjar bons profissionais que queiram morar no interior. Os nossos médicos, como toda classe média, se encantam com os fascínios dos grandes centros e logo desistem quando não dão um jeito de atuarem como deputados, trabalhando apenas alguns dias da semana sem residir na localidade.
Acho que enquanto não nos voltarmos para longe dos grandes centros rumo ao interior do pais desenvolvendo-o teremos sempre de conviver com todos esses problemas que listei acima e outros mais decorrentes do inchaço das grandes cidades.
A primeira matéria versava sobre o entupimento dos anéis viários das grandes cidades, em particular citava Belo Horizonte como exemplo. Sergio comentou que o problema estava no crescimento exagerado dos grandes centros que centralizam o PIB nacional. Ele ele está mais que certo. Em 2003, segundo o IBGE, apenas dez cidades eram responsáveis por mais de 25% do PIB nacional, todas capitais.
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=481&id_pagina=1
A situação de lá pra cá não mudou muito apesar do desenvolvimento que se vê em regiões como o nordeste do país, esse desenvolvimento pouco se expande para o interior. Falta aí planejamento. Demos aula ao mundo com Lucio Costa e Niemayer, mas parece que nós mesmos não replicamos o conhecimento internamente. Insistimos em favelar as cidades não desenvolvendo as periféricas, dando-lhes infra-estrutura de transporte, educação e saude e distribuindo o parque industrial nas mesmas, garantindo o trabalho segundo a vocação de cada uma. Dessa forma teríamos sempre cidades com cerca de 500 mil habitantes no máximo com vida própria e o desenvolvimento distribuido nos estados entre os municípios. Da forma que fazemos centralizando tudo em poucos centros criamos o caos urbano, a violência, a calamidade nas chuvas e intepéries e o entupimento de suas artérias que são as vias de acesso ás mesmas.
A outra reportagem versava sobre os médicos de família. Essa figura comum tempos atrás, antes que os planos de saúdem loteassem a privilegiada classe média que tenta não depender do Sus. A reportagem mostrava os benefícios dos médicos de familia, inclusive ao bolso dos que o utilizam. Tirando as questões microeconômicas envolvidas que desistimulam essa prática tão benéfica, novamente Sergio fez a correlação imediata com a reportagem anterior. É o mesmo problema. De novo acertou na mosca!
Existe um programa no SUS chamado PSF - Programa Saúde da Família, implantado ainda na gestão do ex ministro Ciro Gomes cujo o objetivo é justamente incentivar a existência do médico de família nas cidades loteando-as para médicos credenciados.
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=149
Isso acabou não vingando como deveria. Por que? O salário é bem razoável, partindo do princípio que este programa voltou-se para o interior dos estados. Exatamente por isso é difícil arranjar bons profissionais que queiram morar no interior. Os nossos médicos, como toda classe média, se encantam com os fascínios dos grandes centros e logo desistem quando não dão um jeito de atuarem como deputados, trabalhando apenas alguns dias da semana sem residir na localidade.
Acho que enquanto não nos voltarmos para longe dos grandes centros rumo ao interior do pais desenvolvendo-o teremos sempre de conviver com todos esses problemas que listei acima e outros mais decorrentes do inchaço das grandes cidades.
Tuesday, February 01, 2011
Conselhos de uma expert
Quando a pessoa tem experiência no assunto temos que ouvi-la com atenção. Vejam só as afirmações de uma expert em relacionamentos sobre às responsabilidades de cada um nesse projeto chamado relacionamento a dois:
1. O que o casal decide, ambos decidem - É comum quando alguma coisa não dá certo a parte que abriu mão de sua posição em favor do outro culpá-lo pelo malogro. No entanto, essa pessoa ao abrir mão de suas convições tomou uma decisão de faze-lo e assumiu o que o outro decidiu como sua decisão. Se tivesse dado certo, colheriam ambos os louros. Dando errado a responsabilidade é de ambos não de um só.
2. O perdão beneficia mais quem perdoa que quem é perdoado - Não perdoar é alimentar uma mágoa ou um rancor que não só nos afastará definitivamente daquela pessoa, mas pior, nos fará muito, mas muito mal. Independentemente dos rumos a serem tomados no relacionamento, o perdão é sinal que existe amor. Se o coração se fecha para o perdão é que ele se fechou para o amor antes. Portanto, por ser do amor, o perdão não precisa do merecimento do outro pra ser dado. Ele é fruto de graça para beneficio essencialmente de quem perdoa.
3. A nós cabe o arrependimento não o perdão do outro - Quando ofendemos ou machucamos quem amamos, e isso não é difícil de acontecer, não podemos forçar o outro a nos perdoar. Até porque essa responsabilidade nesse caso não é nossa conforme dito anteriormente. O que podemos fazer é nos arrependermos verdadeiramente. Se existir amor o perdão será inevitável, cedo ou tarde.
4. Amor é decisão - Quando se ama se decide que é aquela pessoa que realmente se quer viver e assume-se a decisão que se tomou. Não se fica olhando pro lado como se não tivesse satisfeito com o que tem, nem se cogita mudar mas se aposta na relação como projeto único que dará certo pois ambos estão imbuidos do propósito de fazê-la dar certo. Aqui novamente a responsabilidade é individual mas ambos precisam decidir amar e se doarem ao projeto comum senão a relação não vinga.
5. Amar é para os corajosos não para os covardes - É preciso ter coragem para amar ou talvez o amor nos torna corajosos. Diz a bíblia que o amor lança fora o medo. Se é assim, o verdadeiro amor nos levará a assumir compromissos de forma consciênte mas com a intepridez dos que navegam em águas desconhecidas. Sem essa coragem o melhor a fazer é se acostumar às relações fugazes baseadas no hoje sem nenhum amanhã. Aquelas relações que, quando ficam sérias, a gente termina pelo medo do compromisso.
Obs: Essa expert, por acaso, é a minha namorada ;-).
1. O que o casal decide, ambos decidem - É comum quando alguma coisa não dá certo a parte que abriu mão de sua posição em favor do outro culpá-lo pelo malogro. No entanto, essa pessoa ao abrir mão de suas convições tomou uma decisão de faze-lo e assumiu o que o outro decidiu como sua decisão. Se tivesse dado certo, colheriam ambos os louros. Dando errado a responsabilidade é de ambos não de um só.
2. O perdão beneficia mais quem perdoa que quem é perdoado - Não perdoar é alimentar uma mágoa ou um rancor que não só nos afastará definitivamente daquela pessoa, mas pior, nos fará muito, mas muito mal. Independentemente dos rumos a serem tomados no relacionamento, o perdão é sinal que existe amor. Se o coração se fecha para o perdão é que ele se fechou para o amor antes. Portanto, por ser do amor, o perdão não precisa do merecimento do outro pra ser dado. Ele é fruto de graça para beneficio essencialmente de quem perdoa.
3. A nós cabe o arrependimento não o perdão do outro - Quando ofendemos ou machucamos quem amamos, e isso não é difícil de acontecer, não podemos forçar o outro a nos perdoar. Até porque essa responsabilidade nesse caso não é nossa conforme dito anteriormente. O que podemos fazer é nos arrependermos verdadeiramente. Se existir amor o perdão será inevitável, cedo ou tarde.
4. Amor é decisão - Quando se ama se decide que é aquela pessoa que realmente se quer viver e assume-se a decisão que se tomou. Não se fica olhando pro lado como se não tivesse satisfeito com o que tem, nem se cogita mudar mas se aposta na relação como projeto único que dará certo pois ambos estão imbuidos do propósito de fazê-la dar certo. Aqui novamente a responsabilidade é individual mas ambos precisam decidir amar e se doarem ao projeto comum senão a relação não vinga.
5. Amar é para os corajosos não para os covardes - É preciso ter coragem para amar ou talvez o amor nos torna corajosos. Diz a bíblia que o amor lança fora o medo. Se é assim, o verdadeiro amor nos levará a assumir compromissos de forma consciênte mas com a intepridez dos que navegam em águas desconhecidas. Sem essa coragem o melhor a fazer é se acostumar às relações fugazes baseadas no hoje sem nenhum amanhã. Aquelas relações que, quando ficam sérias, a gente termina pelo medo do compromisso.
Obs: Essa expert, por acaso, é a minha namorada ;-).
Friday, January 28, 2011
Oração da busca por um culpado!
Alguém que possa reclamar
E nele por toda a culpa
do amor que não soube encontrar
Que ele nunca me falte
Que nunca me abandone
Assim não encaro o medo
Assim não enfrento a fome
Assim não assumo o erro
E nem mesmo cruzo a ponteVivo sempre no passado
Não me abro pro presente
E deixo passivo a revolta
Tomar conta da minha mente
Sim ó Pai, não o deixe ir de mim
E aí ficar sem desculpas
E ter que encarar-me assim
Autor (ou pelo menos co-autor) dos meus fracassos
Responsável por escolhas
Que me abstive de fazer
De permanecer sofrendo
De passar os dias morrendo
Tendo a opção de viver
Pelo menos no diabo, nosso culpado mor
Me deixe, por favor, por a culpa
De não ter acordado
E ter de ti esperado
Um sinal do céu pra agir
De não ter me amado antes
Ou amado de verdade
Um amor não merecido que tanto se precisava
Um amor bem decidido
Desses que procurava
Livrai-me da falta de culpados
Assim não preciso crescer
E entender que até você
Teve que enfrentar sozinho
E a cruz pelo seu caminho
Nem precisava a levarMas não se absteve de amar
E sem culpa assumiu as dos outros
Pois amou quem não lhe amou e ponto
Pois amou quem não lhe amou e ponto
Por quantos decidiu se dar
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