É luz
Dissipa a escuridão
É paz
Acalma o coração
Consciência mãe da decisão
Mistério sem explicação
De onde vem, quando, por que dessa iluminação?
Não sei, talvez nunca saberei ao certo
Por que só hoje parece claro o antes incorberto?
É o tempo e o espaço
O infinito da incompreensão
Pura conspiração do divino
Pra nossa transformação
Dando graça e sentido
a uma
vida sem razão
Resolvi ter um blog para falar da vida como eu a vejo, em prosa e verso, sempre ...
Tuesday, March 29, 2011
Saturday, March 19, 2011
Um inquilino indesejável
Essa semana terminava uma partitura varando a madrugada quando resolvi beber algo. Liguei a luz da cozinha e ouvi um barulho estranho. Desconfiado cheguei mais perto na certeza que não estava sozinho ali. Ao afastar um amontoado de sacolas plásticas, dessas de supermecado, nosso amigo surgiu voando num salto mortal para trás da geladeira. Foi rápido, mas a sensação de ter um rato na cozinha as três da manhã não é nada agradável.
O que fazer então? Pegar um cabo de vassoura e tentar matar o bicho. Eu me conheço. Primeiro não acertaria o infeliz, depois ainda correria o risco dele fugir pro meu quarto! Ainda tinha dúvidas se uma paulada só resolveria, pois achei o cidadão bem grandinho. Com sono, e sem coragem para essa odisseia deixei o moço pensar que o espreitava deixando a luz ligada, fechei a porta do quarto e fui dormir.
Pela manhão tomei as providências que me cabiam. Comprei veneno, armei as arapucas pro bichinho e esperei sinceramente que ele tivesse voltado pro lugar de onde veio para não ter o desprazer de encontra-lo frente a frente.
Esse tipo de problema acaba sendo fácil de resolver. Expulsamos o inquilino ou o matamos. Difícil é quando o mesmo se encontra dentro da gente como um pensamento ruim ou ansiedade que roi a alma, por exemplo. Aí não tem jeito, ou aprendemos a ignorá-los ou entrega-los a Deus, ou teremos que conviver com os mesmos no nosso dia a dia, sem planos de fuga ou raticida para esses ratos da nossa mente.
O que fazer então? Pegar um cabo de vassoura e tentar matar o bicho. Eu me conheço. Primeiro não acertaria o infeliz, depois ainda correria o risco dele fugir pro meu quarto! Ainda tinha dúvidas se uma paulada só resolveria, pois achei o cidadão bem grandinho. Com sono, e sem coragem para essa odisseia deixei o moço pensar que o espreitava deixando a luz ligada, fechei a porta do quarto e fui dormir.
Pela manhão tomei as providências que me cabiam. Comprei veneno, armei as arapucas pro bichinho e esperei sinceramente que ele tivesse voltado pro lugar de onde veio para não ter o desprazer de encontra-lo frente a frente.
Esse tipo de problema acaba sendo fácil de resolver. Expulsamos o inquilino ou o matamos. Difícil é quando o mesmo se encontra dentro da gente como um pensamento ruim ou ansiedade que roi a alma, por exemplo. Aí não tem jeito, ou aprendemos a ignorá-los ou entrega-los a Deus, ou teremos que conviver com os mesmos no nosso dia a dia, sem planos de fuga ou raticida para esses ratos da nossa mente.
Monday, March 07, 2011
Conversa de bêbados!
O que uma reunião de homens para se embebedarem e discursarem sobre o desejo erótico ou o próprio Eros como um deus, sendo eles reconhecidamente pederastas em sua maioria, teria a nos dizer sobre o tema e sobre as relações amorosas que unem casais de qualquer natureza? Essa é a pergunta que se faz quando lemos "o banquete" de Platão, clássico da literatura universal e filosófica que resolvi ler nesse carnaval. Por que? Pura coincidência, procurava alguma coisa para anotar um endereço no aeroporto e achei que comprar o livro me traria um custo benefício estremamente atrativo. Acertei!
Muito embora, num primeiro momento, fiquei chocado com a naturalidade com que o homossexualismo é tratado no livro, pois não me lembrava como isto era comum na sociedade grega sendo o mesmo até estimulado na época, ao refletir no tema proposto vi que o erotismo presente nas nossas vidas quase nunca é pensado e entendido filosóficamente, e isso por incrível que pareça, faz diferença!
Segundo Platão, Eros tem como objetivo a busca do belo como desejo, entenda-se esse belo não como um padrão estético socialmente convencionado mas como aquilo que encanta e apaixona no outro e que queremos ter para nós, pois nos falta. Sua paixão escancarada por Sócrates baseava-se, por exemplo, não nos atributos físicos do mesmo, posto que era feio, mas na sua inteligência que o tornava o centro das suas atenções. Também, num dos discursos proferidos no livro, a relação entre o erasta (agente do desejo erótico - amante) e erômeno (alvo do desejo - amado) decorre da busca da metade perdida, como se fossemos incompletos pois na origem fomos separados pelos deuses. Essas e outras ideias desprovidas da mitologia grega, e sem a influência da cultura da época, foram sendo passadas pelas gerações e hoje de forma inconsciente ou não fundamentam as nossas relações com o erotismo.
Em particular, achei interessantíssimo a ampliação do significado do erótico como força propulsora do nosso querer. No entanto, o reconhecimento dos filósofos personagens do livro, entre eles o mais famoso Sócrates, de que embora manisfestado no corpo o alvo do erasta pode e, em tese, deveria ser outro, ou seja, a paixão não deveria brotar do encantamento do belo vindo da beleza física, associada a juventude (daí a pederastia), mas que para durar deveria repousar no campo da psiquê ou da alma humana é, pra mim, a grande contribuição do livro.
A leitura desprovida de crítica faz-nos encarar os diálogos como um grande conversa de bebados. Porém, a forma retórica com que proferem os discursos, independentemente dos argumentos, parece exaltar a arte da persuasão que tanto se esmeram os advogados no seu dia a dia, no entanto existe um interesse claro pela busca da verdade e da essência das coisas, e não do simples convencimento como faziam os sofistas, estes sim, bem mais parecidos com os profissionais citados anteriormente, pelo menos na sua maioria.
Entendo que devemos saber o que nos erotiza, o que nos atrai e encanta. Dessa forma entenderemos porque algumas pessoas nos acendem o desejo e outras não. Também que esse desejo pode ser uma expressão de uma lacuna interior, para além da necessidade comum de nos relacionarmos com alguém, ou daquilo que internalizamos como alvo da nossa admiração. Entender que esse processo é comum a todos nós também nos ajuda a conviver com nossas pulsões. vive-las ou controla-las dependendo do momento e do alvo das mesmas. Se vamos preencher esse encantamento de significado e romantismo é uma decisão que nos cabe tomar. Fomos feitos assim e uma das razões de nos casarmos é exatamente essa, de satisfazer esse erotismo inerente a cada um de nós.
Pensando bem, leitura mais apropiada do que esta para o período de Carnaval, acho que não encontraria.
De tranquilidade de Brasilia, onde carnaval é algo que não vi.
Muito embora, num primeiro momento, fiquei chocado com a naturalidade com que o homossexualismo é tratado no livro, pois não me lembrava como isto era comum na sociedade grega sendo o mesmo até estimulado na época, ao refletir no tema proposto vi que o erotismo presente nas nossas vidas quase nunca é pensado e entendido filosóficamente, e isso por incrível que pareça, faz diferença!
Segundo Platão, Eros tem como objetivo a busca do belo como desejo, entenda-se esse belo não como um padrão estético socialmente convencionado mas como aquilo que encanta e apaixona no outro e que queremos ter para nós, pois nos falta. Sua paixão escancarada por Sócrates baseava-se, por exemplo, não nos atributos físicos do mesmo, posto que era feio, mas na sua inteligência que o tornava o centro das suas atenções. Também, num dos discursos proferidos no livro, a relação entre o erasta (agente do desejo erótico - amante) e erômeno (alvo do desejo - amado) decorre da busca da metade perdida, como se fossemos incompletos pois na origem fomos separados pelos deuses. Essas e outras ideias desprovidas da mitologia grega, e sem a influência da cultura da época, foram sendo passadas pelas gerações e hoje de forma inconsciente ou não fundamentam as nossas relações com o erotismo.
Em particular, achei interessantíssimo a ampliação do significado do erótico como força propulsora do nosso querer. No entanto, o reconhecimento dos filósofos personagens do livro, entre eles o mais famoso Sócrates, de que embora manisfestado no corpo o alvo do erasta pode e, em tese, deveria ser outro, ou seja, a paixão não deveria brotar do encantamento do belo vindo da beleza física, associada a juventude (daí a pederastia), mas que para durar deveria repousar no campo da psiquê ou da alma humana é, pra mim, a grande contribuição do livro.
A leitura desprovida de crítica faz-nos encarar os diálogos como um grande conversa de bebados. Porém, a forma retórica com que proferem os discursos, independentemente dos argumentos, parece exaltar a arte da persuasão que tanto se esmeram os advogados no seu dia a dia, no entanto existe um interesse claro pela busca da verdade e da essência das coisas, e não do simples convencimento como faziam os sofistas, estes sim, bem mais parecidos com os profissionais citados anteriormente, pelo menos na sua maioria.
Entendo que devemos saber o que nos erotiza, o que nos atrai e encanta. Dessa forma entenderemos porque algumas pessoas nos acendem o desejo e outras não. Também que esse desejo pode ser uma expressão de uma lacuna interior, para além da necessidade comum de nos relacionarmos com alguém, ou daquilo que internalizamos como alvo da nossa admiração. Entender que esse processo é comum a todos nós também nos ajuda a conviver com nossas pulsões. vive-las ou controla-las dependendo do momento e do alvo das mesmas. Se vamos preencher esse encantamento de significado e romantismo é uma decisão que nos cabe tomar. Fomos feitos assim e uma das razões de nos casarmos é exatamente essa, de satisfazer esse erotismo inerente a cada um de nós.
Pensando bem, leitura mais apropiada do que esta para o período de Carnaval, acho que não encontraria.
De tranquilidade de Brasilia, onde carnaval é algo que não vi.
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