Monday, February 09, 2009

Quebrando paradigmas

É certo que a humanidade avança quando paradigmas são quebrados. Quando alguém ousa pensar diferente e achar o impossível possível é que algo novo acontece. As vezes os nossos conceitos petrificados ao longo dos anos precisam de serem vez por outra choqualhados e testados para vermos a solidez dos mesmos. Hoje me deparei com uma afirmação dessas de mexer com os meus eixos. Um psicólogo num livro afirmando ser a paixão e não o amor a base de um casamento feliz. O amor seria a base da família e que, por isso, ela permanece mesmo com o fim do casamento. Ou seja, os papéis, amor e identidades de pais e filhos não se acabam com a separação. Eles só acabam quando o amor entre eles for afetado por problemas outros que a separação em si, que no final é mais um sintoma ou resultado de algo anterior que a causa de qualquer coisa.
O pior, é que isso bate com a minha experiência pessoal e com o que vejo nos meus amigos descasados. Fomos ensinados, principalmente na igreja, que o casamento tem como fim a constituição de uma família. No entanto, isso é apenas um dos objetivos que pode se realizar ou não. Se forem estéreis ou optarem por não terem filhos serão apenas um casal, e para que sejam um casal terão que querer um ao outro, a companhia, o cheiro, o corpo e tudo o mais. Os filhos podem ir embora ou morrerem num acidente e aí, se não se desenvolveu essa renovação contínua da paixão descobrem-se estranhos depois de um tempo. Sem as obrigações familiares restam curtirem um ao outro. E se não se curtirem? Em outras palavras, casamento feliz é aquele em que se cultiva o desejo e a paixão em paralelo ao amor e todos os projetos familiares envolvendo sustento, carro, moradia, filhos etc.
Alguém pode dizer; isso é tão evidente que nem precisaria ser dito com tanta surpresa. É que nós que, como eu, crescemos em um ambiente extremamente religioso tendemos a ter problemas com a paixão. Acha-la de menor valor, carnal, sem a dar a mesma a devida importância. Achamos que o amor é tudo na vida. E vivemos assim ... sem paixão por nada (nem pelo evangelho que tanto ouvimos) quando vemos temos perdido o que não perderíamos se tivéssemos vivido com paixão ... a pessoa a quem amamos, o trabalho que queríamos e, por fim, a nossa própria vida!

1 comment:

Ido said...

Complementando ...

Já que ninguém comentou vai uma coisa que pensei agora. Embora reconheça que a paixão é a liga que segura a relação ainda acho o amor fundamental para que a mesma se sustente. A paixão é chama e se alimenta das ilusões, projeções, química etc. Como toda chama ela se extingue se alguém não soprar (dá-lhe oxigênio novo)e colocar algo novo para queimar substituindo o que já não queima mais. A disposição de fazer isso quem dá é o amor. Ou seja, quem ama, sabe que a paixão é importante e a valoriza e a busca manter e renovar.
Quem vive sob a égide da paixão vive de enamoramentos e separações. Quem não a valoriza, no entanto a mata. Uma coisa é mantê-la acesa, outra bem mais difícil é re-acendê-la. Pense no trabalho que lhe dá colocar mais uns gravetos no fogo ou fricioná-los até que uma fagulha possa gerar algo que soprado vire uma nova fogueira. Em alguns casos, jogou-se tanta água que enquanto essa humidade existir não existe possibilidade de se re-acender nada.
Cuidemos então desse fogo enquanto ele existir para que não morramos de frio e saudade do mesmo mais tarde!