Esse ano não terei a companhia dos filhos no Natal. Não é a primeira vez mas talvez nunca quis tanto tê-los perto. Acho que quando convivia com eles não os tinha tão próximos a mim como os tenho hoje, mesmo distante. Daí porque o Natal esse ano me faz refletir num monte coisas. Primeiro, muitos terão o privilégio que não terei e se reunirão em família ao redor de uma mesa farta, a ceia de natal. Também me reunirei em família, de gente maravilhosa que Deus me deu, mas por mais queridos que sejam não substituirão o estar com os filhos no natal. No entanto muitos também não reflitirão o quão abençoados são os que podem repetir esse momento todos os dias do ano, mesmo sem presentes mas com presença, principalmente na vida dos próprios filhos.
Segundo, muitos não terão ceia, pois mal terão o que comer. No entanto o natal poderá significar a esperança do re-nascimento e da sobrevivência por meio da atitude de alguém que realmente entendeu o espírito da ocasião.
Terceiro, Cristo certamente não nasceu nessa época e a data, originalmente uma comemoração pagã do deus sol. O dia 25 foi aproveitado por Constantino no sincretismo religioso e político que se tornou a igreja romana bem como todo o cristianismo que dela se derivou. No entanto, lembrar de um menino numa manjedoura sendo esse menino simplesmente Emanuel – Deus conosco faz a gente pensar como Deus é simples, e como tem dificuldades de encontrar um berço, e acaba nascendo nos lugares mais humildes, para nos mostrar que um coração altivo e soberbo nunca o verá.
Dessa forma, viver o natal não é festejar a família, como muitos pensam, nem fazer a alegria dos lojistas gastando seu décimo terceiro, mas reconhecer-se manjedoura na qual Jesus possa deitar e descansar. É esse o meu desejo pra mim, e o que quero pra mim quero para todos os meus amigos e irmãos.
Amém
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