Essa semana terminava uma partitura varando a madrugada quando resolvi beber algo. Liguei a luz da cozinha e ouvi um barulho estranho. Desconfiado cheguei mais perto na certeza que não estava sozinho ali. Ao afastar um amontoado de sacolas plásticas, dessas de supermecado, nosso amigo surgiu voando num salto mortal para trás da geladeira. Foi rápido, mas a sensação de ter um rato na cozinha as três da manhã não é nada agradável.
O que fazer então? Pegar um cabo de vassoura e tentar matar o bicho. Eu me conheço. Primeiro não acertaria o infeliz, depois ainda correria o risco dele fugir pro meu quarto! Ainda tinha dúvidas se uma paulada só resolveria, pois achei o cidadão bem grandinho. Com sono, e sem coragem para essa odisseia deixei o moço pensar que o espreitava deixando a luz ligada, fechei a porta do quarto e fui dormir.
Pela manhão tomei as providências que me cabiam. Comprei veneno, armei as arapucas pro bichinho e esperei sinceramente que ele tivesse voltado pro lugar de onde veio para não ter o desprazer de encontra-lo frente a frente.
Esse tipo de problema acaba sendo fácil de resolver. Expulsamos o inquilino ou o matamos. Difícil é quando o mesmo se encontra dentro da gente como um pensamento ruim ou ansiedade que roi a alma, por exemplo. Aí não tem jeito, ou aprendemos a ignorá-los ou entrega-los a Deus, ou teremos que conviver com os mesmos no nosso dia a dia, sem planos de fuga ou raticida para esses ratos da nossa mente.

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