Sunday, October 24, 2010

Planos de governo



Ultima semana de eleição. Promessômetro ligado a toda, candidatos posando de salvadores da pátria, novos Cristos que ao invés da cruz sofrem ataques de bolinhas de papel e, pasmem, rolos de fita adesiva e vão parar no hospital. Muitas acusações de cada lado. Fica difícil limpar a ficha dos dois sem que um deles não desenterre alguma sujeira do outro. Esse é o debate político que nos restou nesse segundo turno. Da forma como são expostas, as propostas de ambos parecem sair de um fundo infinito de um pais com recursos bem maiores que o nosso. Quem sabe saibam onde encontrar esses recursos? Nós é que não sabemos.

Estava lendo um livro muito interessante hoje, "A arte da Vida – Zigmunt Bauman (Editora ZAHAR)", e me deparei com o seguinte discurso proferido pelo senador Robert Kennedy em 18 de março de 1968, em plena campanha presidencial, pouco antes de ser assasinado:

"Nosso PNB considera em seus cálculos a poluição do ar, a publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em nossas rodovias. Ele registra os custos dos sistemas de segurança que instalamos para proteger nossos lares e as prisões em trancafiamos os que conseguem burlá-los. Ele leva em conta a destruição da nossa florestas de sequóias e sua substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Ele inclui a produção de napalm, armas nucleares e dos veículos armados usados pela polícia para reprimir a desordem urbana. Ele registra ... programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos a crianças. Por outro lado, o PNB não observa a saúde de nossos filhos, a qualidade de nossa educação ou a alegria de nossos jogos. Não mede a beleza de nossa poesia e a solidez de nossos matrimônios. Não se preocupa em avaliar a qualidade de nossos debates políticos e a integridade de nossos representantes. Não considera a nossa coragem, sabedoria e cultura. Nada diz sobre a nossa compaixão e dedicação a nosso país. Em resumo, o PNB mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena."

Não pude deixar de aplaudir mais de quarenta anos depois tanta verdade proferida num discurso de campanha. Que diferença, pensei!

Nossos maiores problemas não são econômicos. Nossos maiores desafios têm a ver com a visão que temos da nossa vida e do nosso país. Conseguiremos nos desvencilhar do nosso egoísmo primal que nos faz votar segundo os nossos próprios interesses particulares, e não da coletividade, assim como nossos políticos parecem se eleger para privilegiar alguns senão os próprios? Como bem disse o Tirica: " Me elejam para que eu possa ajudar as famílias necessitadas a começar da minha..." Assim nós fazemos, assim eles fazem!

Como fazer para escolher entre dois projetos políticos cujo o objetivo principal é o poder pelo poder? De um lado um homem na sua obsessão de ser presidente, na sua segunda tentativa de chegar ao planalto, projeto no qual já provou ser capaz de fazer qualquer coisa pra dar cabo e, do outro, um partido cuja a utilização da máquina pública para fins outros, pra não falar só dos eleitorais, já passou de todos os limites outrora estabelecidos, e cujo mentor permanece ocluso, longe da mídia, por conveniência, e seu líder maior parece o real candidato à presidência.

Pergunta difícil essa, né? A resposta nos brasileiros daremos semana que vem. Espero que saibamos o que estamos fazendo.



Belem, 24/10/10


 

No comments: