Li a pouco numa revista um artigo sobre o filme bem diferente do usual que me fez refletir nos nossos paradigmas de pensamento. Paradigma é uma janela pela qual vemos o mundo. A questão é que dependendo da posição da janela, altura e tamanho, o mundo visto por ela pode ficar bem limitado. Pois bem, imagine o seguinte; você não sabe nada do filme ou do livro e eu lhe conto a seguinte história:
Um jovem professor de direito em meio a uma crise existencial resolve por fim a seu casamento com sua mulher escritora e sair pelo mundo em busca de alivio para seu dilema interior. Vai para Itália, conhece novos amigos, desfruta dos prazeres da mesa, depois passa um período na índia procurando elevo espiritual e por fim passa uma temporada em Bali onde encontra uma latina "caliente" por quem se apaixona e se casa.
Agora me diga; você pagaria 200 mil dólares pelos direitos de publicação de uma história assim? No mínimo minhas amigas leitoras ficariam revoltadas com essa história e com pena da "coitadinha" da esposa, não interessando a contribuição da mesma para o fim do casamento, mesmo se ela fosse descrita como egocêntrica voltada somente para os seus projetos pessoais, seu novo livro, por exemplo.
Troque o papeis e o que temos? Um sucesso editorial e um filme inspirador.
Michel Cooper, o professor egocêntrico retratado por Liz Gilbert, com quem foi casada, conta em seu livro "Displaced", que nunca chegará por razões óbvias ao sucesso de "Eat, Pray, Love" da sua sua ex, como foi sua peregrinação após um divórcio que, segundo ele, o destruiu emocionalmente. O nosso professor "egoísta" é um ativista dos direitos humanos e se "encontrou" participando de missões em países com conflitos armados ou vítimas de desastres naturais como Kosovo, Mongolia, Iran e Iraque, roteiro turístico convenhamos bem menos atraente que o de Liz.
Não sei ao certo se numa dessas missões apaixonou-se novamente dessa vez por uma diplomata canadense, Béatrice Maillé, com quem tem hoje dois filhos.
Calma meninas! Não estou tentando crucificar ninguém! Continuo adorando o filme e a história contada por Liz Gilbert.
Só queria abrir uma janela do outro lado da casa ... onde os homens não são os únicos egoístas desse mundo, sofrem com as separações (e não só caem na diversão quando isso acontece!) e demoram a reconstruir suas vidas abaladas pelo episódio. Não interessa o que tenha realmente acontecido entre os dois o fato é que encontraram um caminho melhor para ambos apesar de tudo.

1 comment:
Ido, sabe que enquanto eu li o livro (a primeira parte, em que a Liz fala do divórcio) percebi que a birra dele pelos bens materiais era pura mágoa e ressentimento? Fiquei pensando enquanto lia: "nossa, mas esse cara sofreu demais! Ele nem sequer esperava por um divórcio, ela se camuflar muito bem..."
Não tem jeito, ambos sofreram muito, acho que entre pessoas saudáveis é impossível que não haja sofrimento para os dois... e assim, não há um certo e um errado totalmente, na maioria dos casos, e depois, confio na graça de Deus que nos modifica totalmente e nos torna progressivamente pessoas melhores. Mas relações que não eram pra ser também acontecem, o segredo pra superar a perda, a ruptura é levantar a cabeça, perdoar o outro e a si mesmo para poder seguir pacificado.
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