Saturday, November 06, 2010

Lembranças de Airton Senna

Nesse domingo teremos Grande Prêmio Brasil de Formula 1. Sou um viciado em formula que acompanho desde o final dos anos 70. Acompanhei, portanto o nascimento e crescimento de um fenômeno das pistas que se tornou, na opinião de muitos com eu, o maior piloto de todos os tempos: Airton Senna da Silva!
Essa semana mais um documentário sobre a sua vida estréia nos cinemas, que devo assistir  assim que possível (vide trailer abaixo).
Airton foi um ícone do esporte e alguém muito especial para mim e para milhares de brasileiros que acompanharam sua carreira e lhe devotaram uma admiração sem igual.  Existia nele uma obstinação pela vitória e uma capacidade de desafiar limites que nos inspirava todas as manhãs de domingo, quando acompanhávamos as suas maravilhosas performances nas pistas de todo mundo. Sua paixão pela velocidade contaminou o pais e nos tornamos também apaixonados por Formula 1, e por ele.
Airton tinha fé mística em Deus e chegou certa vez a dizer que o tinha visto em uma visão quando cruzara a linha de chegada de uma corrida. Sua obstinação em conseguir o que queria e em vencer gerava em nós uma ilusão de que nos representava, de alguma forma, nas suas conquistas.  De certa forma, ao erguer a bandeira nacional após cada vitória ele incorporava e alimentava esse sentimento, como também ao nos incluir nas suas vitorias dizendo "a gente" tinha que vencer desta vez, como fazia.
No entanto, em 1 de maio de 1994, participava de uma feijoada patrocinada pela igreja em que era membro na época quando recebemos a noticia da confirmação da morte do Airton. É impressionante que me lembro da data, das circunstancias, do acidente, de tudo como se tivesse ocorrido com alguém próximo e muito querido. Mas era assim que o víamos. Foi um choque, e traumas assim são difíceis de esquecer.
É certo, e muitos analistas esportivos irão concordar comigo, que Michael Schumacher, o maior campeão e vencedor das pistas de formula 1, não teria metade das vitórias que teve se Senna tivesse prosseguido na sua carreira. Até aquele domingo, Schumacher havia vencido Senna mas nunca tinha conseguido uma pole-position em disputa direta com ele, mesmo com um carro, na época superior ao do Airton. Foi, alías, a frente de Schumacher que ele encontrou a, depois do acidente, famosa curva Tamburello do circuito de Ímola da Itália. Uma tragédia de alguma forma pressentida pelo próprio Airton num final de semana cheio de acidentes, mas não evitada. Na sexta o piloto austríaco Roland Ratzenberger havia morrido nos treinos de classificação. No mesmo, o jovem Rubens Barrichello também se acidentara e a corrida começou também com um acidente na largada que pode ter contribuído também para morte do grande campeão das pistas (vide vídeo).


O saldo da sua morte pode ser contabilizado pelas modificações ocorridas nos carros de formula 1 e circuitos a partir daí. Hoje uma acidente fatal na categoria é algo infinitamente mais difícil de acontecer que naquela época tal a segurança hoje imposta. O circuito de Imola foi modificado bem como vários circuitos visando o aumento da segurança. Os carros ganharam células de sobrevivência que são incrivelmente eficientes.
Pra mim, o Airton nos deixou uma lição de que, quando desafiamos os nossos limites, é possível vencê-los com aplicação e talento. No entanto, é preciso saber que somos homens e não deuses, portanto mortais e falhos. O erro, a fatalidade, a nossa Tamburello pode nos encontrar quando menos esperarmos e é preciso estarmos prontos para ela.

Foi-se o homem e ficou o mito que mesmo depois de 16 anos continuamos a celebrar.


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