1 - Sonhos realizados dão sentido a vida - Randy realizou alguns dos sonhos de criança e com certeza alguns outros de adulto. Esse senso de realização trouxe para ele uma sensação de dever cumprido, dentro do que lhe cabia fazer, que embora não possam amenizar a tristeza de não poder viver novos sonhos e, principalmente, ver seus filhos crescerem pelo menos lhe dá a sensação que não viu vida passar mas foi o ator principal da própria vida. Quantos sonhos deixamos pra trás pela falta de coragem de realizá-los? Quantos deles desistimos porque não nos vemos capazes de alcançá-los?
2 - Sonhos não realizados podem realizar algo em nós melhor que a realização dos mesmos - Randy tinha um sonho de ser um jogador profissional da NFL, a liga de futebol americano, esporte este que sempre foi apaixonado. Não conseguiu pela compleição física, óculos, mas ao treinar futebol aprendeu muito do que utilizou para alcançar outras vitórias no campo profissional e pessoal. Aprendemos muito com aquilo que eventualmente não conseguimos. O erro nos traz muito mais experiência que o acerto. A questão toda é como reagimos ou o que fazemos com essa experiência. Se a utilizamos para alcançar novos sonhos ou como desculpa para a estagnação na vida.
3 - Nossos principais sonhos são essencialmente infantis e isso deve ser lembrado sempre! O fato da palestra ter sido preparada para os seus filhos, como legado, o que a faz especialmente emocionante fez com que Randy buscasse na sua infância a identificação com os seus filhos e a linguagem certa para falar com eles sobre o sentido da vida. Com isso ele nos deixou uma lição maravilhosa, pois começamos a nos perguntar qual foi a época que sonhávamos mais e o que fizemos desses sonhos! Vemos então que a recomendação de Cristo de que para entrarmos no reino dos céus temos que nos tornar tais como crianças transborda de significado. Quando deixamos nossa "criança" crescer paramos de sonhar e a vida sem sonho, ou projeto, é vida sem vida. Mesmo que não alcancemos tudo que buscamos estaremos andando e é nesse caminhar que encontramos a "graça" da vida. Randy está dizendo para os filhos; "Preste atenção nos seus sonhos de agora, realize-os que vocês serão felizes". Quando lembro do que queria fazer e ser quando moleque e do pouco que realizei começo a entender por que algumas coisas deram errado na minha vida. Os sonhos de criança geralmente estão destituídos do "ter" (casa, carro, dinheiro etc) mas estão encharcados do "ser" (quero ser isso, aquilo, fazer isso, ir para ..) Felizmente nunca é tarde para retomar o caminho perdido!
4 - Sonhar junto é melhor que sonhar só. Por toda a sua vida, relacionamentos os mais diversos o ajudaram a concretizar seus sonhos. Ele próprio, porém, foi instrumento para a realização de sonhos de outros. Nos dois casos aprendemos que as nossas realizações tem que ser compartilhadas e que as devemos a muitos ombros sobre os quais nos escoramos. Isso é verdade para qualquer área do conhecimento como também para qualquer coisa que façamos na vida. A começar pelos nossos pais temos uma série de pessoas que apostam em nós que se comprazem com as nossas realizações, quando não participam das mesmas. Todas essas pessoas têm que ser lembradas e valorizadas no decorrer da nossa caminhada. Parte do que conseguimos vamos sempre dever a elas. É muito bom ter mais gente sonhando com a gente o mesmo sonho!
5 - Os obstáculos que encontramos têm o seu papel. Até quem nos dificulta a vida tem o seu papel. Me lembro do Romário agradecendo os goleiros que tornaram a sua arte, a de fazer gols, mais valorosa. Randy usa um clichê que nem por isso deixa de ser significativo na palestra para dizer a mesma coisa; " Quando um muro atravessa o seu caminho é para lhe testar o quanto você realmente quer prosseguir e alcançar aquilo que busca ... se não o quiser o suficiente outro vai querer e alcançará no seu lugar." Em outras palavras, o que é nosso só será nosso se realmente o quisermos de forma a buscá-lo com toda a nossa vontade. No caminho encontraremos ajuda e ajudaremos outros. É assim que os sonhos são realizados!
6 - Na dialética entre sina e oportunidade, nossa atitude faz a diferença! Assisti uma pregação do Caio Fabio essa semana sobre esse tema onde ele resume a sua convicção de que não existe sina que não possa virar uma oportunidade, ao mesmo tempo que não existe oportunidade que não possa ser perdida! Randy inicia sua palestra utilizando a ilustração de um jogador de pôquer; "Pode ser que as cartas que a vida lhe dê não sejam boas, mas você tem obrigação de fazer o melhor jogo possível com elas". Randy é apenas 9 anos mais velho do que eu. Fico imaginando se morrer com a sua idade se terei realizado os meus sonhos mais importantes. Sem qualquer fatalismo pretendo viver mais que ele, mas se não viver (Deus o sabe), que tenha a consciência de estar fazendo a minha vida valer a pena para mim e para quem se relacionar comigo. Não me venham com oportunidades que estarei preparado para aproveitá-las, todas se possível. Sorte, segundo Randy, é o encontro da oportunidade com a preparação. Se estamos prontos, as aproveitamos. No mais é a confiânça de que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus ... e eu o amo.
O presbiteriano Randy Pausch escolheu não falar de religião nessa hora onde esse assunto entra na pauta do dia. Isso se deve a sua espiritualidade nos parecer e transparecer completamente dissociada da religião e, por razões propositais, para que a sua mensagem se tornasse aberta a todos os credos. Numa brincadeira, ao falar do que não ia tratar na palestra, Randy fala de uma suposta "experiência de conversão no leito de morte"; "I've just bought a Machintosh (acabei de comprar um Machintosh)!" - disse arrancando aplausos e gargalhadas da audiência. Sábia a sua estratégia que está rendendo para os seus filhos, alem de dividendos superiores a qualquer seguro de vida que tenha feito, um legado que poucos pais têm oportunidade de deixar, a experiência de uma vida sintetizada numa mensagem de cerca de uma hora e quinze minutos de duração, e que já foi ouvida por mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo.