Estive pensando como somos acomodados, nós os brasileiros! Quando foi a última vez que saímos as ruas para defender algo? O impeachment de Collor? É acho que foi ... mas lembro também que tivemos uma ajudinha do quarto poder que nos pintou um quadro tão desmoralizante do presidente da república que nos foi impossível manter-nos em nossas casas e não participarmos das manifestações populares. Mas depois disso tanta coisa igual ou pior rolou ... e nada parecido ocorreu, e eu me pergunto por que?
Estamos tão ocupados com a sobrevivência que esquecemos que somos cidadãos de um país onde quem faz as leis pouco se importa se as mesmas recebem referendo popular. Ao mesmo tempo, somos um povo que se acostumou a dar "um jeitinho" e nos conformamos rapidamente com o que não concordamos. Esse jeito que damos para "sonegar" o imposto devido que tornaria o nosso negócio impossível de se sustentar, de burlar as regras para obtermos benefícios do governo, de ignorarmos as leis que podemos e que não concordamos é pai e a mãe do mesmo jeito utilizado por aqueles que elegemos para se beneficiarem do poder outorgado pelo seu voto.
Se todos nós nos sentíssemos mais cidadãos nos organizariamos e responderíamos efetivamente a leis estapafurdias ou exageradas, medidas que visam apenas o lucro da máquina estatal. Estariamos mais atentos com o que se passa no planalto central e não resmungariamos tanto quando uma lei seca, que pode até ser além do razoável mas tem gerado um efeito ao meu ver positivo na consciência da responsabilidade ao beber, é promulgada. Quando a PLC122, a famosa lei dos homofóbicos, for aprovada não reclamaremos se formos presos por termos xingando um político, coisa que podemos fazer sem problemas hoje, mas se ele for gay a coisa vai ficar feia! Sim porque essa "minoria" ganhará o direito de reclamar da discriminação com voz de prisão se ela julgar preterida. Me imagino selecionando um candidato a uma vaga de emprego e ele, desqualificado pra vaga, é gay. Quem sabe não me processa por tê-lo discriminado? Não só são os pastores e psicólogos cristãos que sofrerão com essa aprovação. Um casal se agarrando em local público pode ser enquadrado por atentado ao pudor. Gays fazendo a mesma coisa poderão utilizar-se da lei para garantir o direito de não serem constrangidos e assim constrangerem todo mundo sem problema.
A lei é pra todos mas aqui no nosso amado país criamos o costume de legislar para alguns. Não nos basta a constituição nos garantir direitos iguais, temos que inventar leis que façam alguns serem mais iguais que os outros. A falta de organização da sociedade civil cria um ambiente em que as minorias organizadas podem requerer "direitos" acima dos demais nos fazendo menos cidadãos que eles. Tudo vira uma briga de minorias ou de segmentos da sociedade atrás de "direitos" para si. Os homosexuais, os evangélicos, os negros (seja lá como definam a raça nesse país miscigenado), cada um com seu quinhão. Enquanto não levarmos a lei, e principalmente a nossa carta magna, a sério e arranjarmos jeitinhos para escaparmos das consequências das "novas leis" sem termos que lutar para muda-las ou melhorá-las, cobrando isso dos nossos legisladores, nada realmente mudará e só nos restará o jeitinho, as piadas e tudo mais em que somos experts quando o caldo entorna pro nosso lado.
Pode ser que esteja enganado em tudo isso ... mas algo me diz que alguma razão tenho no que acabo de escrever.
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