Saturday, May 21, 2011

O mercado para boa música nos país



Cheguei em cima da hora do show da Banda de boca no CCBB aqui no Rio. Resultado: ingressos esgotados! Não consegui assisti um dos grupos músicais que mais admiro e do qual sou fã de carteirinha. Tudo bem fiquei feliz por eles, afinal lotaram o teatro ... mas espere um pouco ... qual a lotação do teatro em questão? Perguntei e recebi a seguinte resposta: 170 lugares. Isso mesmo, apenas 170 lugares para assistir sem dúvida o melhor grupo vocal de mpb em atividade do país. Como o ingresso era dez reais ficou claro pra mim o patrocínio do Banco do Brasil que não deve ter achado que o grupo reunia um número de ouvintes superior a lotação da casa. Detalhe, eu  não fui o único a voltar frustrado de não vê-los.
Fiquei pensando então, num final de semana especial onde o Rio se encontra em festa, com shows gratuitos além de Paul MacCarney no Engenhão, pude ver a ebulição cultural que garante o mercado para a boa música, apesar da insistência dos meios de comunicação em propagar o popularesco em detrimento de expor a população, e os seus ouvidos, a uma música de melhor qualidade. Tudo isso, existe por questões econômicas eu sei, mas o alento vem de que, ao descobrir um som de qualidade, o público aprecia e gosta do que ouve e se torna cosumidor da boa música!
Talvez o caminho para a divulgação dos novos artistas seja a internet. Nesse meio, ainda não acessível a totalidade da população como a tv, a democratização do conteúdo que é divulgado pelos próprios internautas, celebridades estão se formando a margem dos interesses econômicos que dominam os meios tradicionais de comunicação. Um exemplo recente é a Banda Mais Bonita da Cidade de Curitiba, que vem aumentando a audiência e popularidade de suas músicas ao divulgar no youtube clipes muito bem feitos com músicas interessantíssimas que cairam no gosto popular imediatamente. 
Vejam o poder das mídias sociais no caso da música "Oração" que sofreu uma avalanche de execuções após recomendações no twitter e facebook.

Espero que aconteça o mesmo com a Banda de Boca e todos os que tem propostas músicais de qualidade no país.

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G
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H
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I
18/05/11 Primeira indicação da Pesquisa do YouTube - a banda mais bonita da cidade oração 265
J
17/05/11 Primeira indicação de - www.facebook.com 7322

Oração - A Banda mais bonita da cidade




















































Monday, April 18, 2011

Lições aprendidas (ou relembradas!) nesse final de semana.

O amor se desenvolve em meio ao respeito às diferenças.
Deus derrubou todas as barreiras que poderiamos ter para nos relacionarmos com Ele e com os outros.
Suportar o outro, não significa aguentar estóicamente a presença de alguém ou algo que não gosta em outra pessoa, mas sim ser um "suporte", ou apoio, para o crescimento do outro. É valorizá-lo como pessoa exaltando suas qualidades e não tão somente expor os seus defeitos, diminuindo assim a luz sobre as nossas próprias sombras interiores.
Não se cresce no conhecimento de Deus sem a prática do amor. Não se ama a Deus se não se consegue amar o próximo.

Monday, April 04, 2011

Crescer é duro mas necessário!

Esse final de semana deu-se inicio na comunidade que estou participando aqui no Rio um ciclo de palestras sobre crescimento. Esse é um tema muito importante dentro do contexto cristão e creio que será muito proveitosa essa reflexão pra todos nós. Por coincidência alguns fatos que ocoreram comigo precipitaram minhas reflexões sobre o assunto sob o prisma pessoal.
O que significa crescer? Crescer significa deixar pra trás as dependências. Quando falo isso não estou falando só dos pais. Hoje tem muita gente que se nega a sair da casa dos pais por comodidade. Não sentem a necessidade de independência típica da maturidade. Mas mesmo aqueles que saem, sem necessariamente o fazerem para constituir família, não exatamente refletem nesse ato um crescimento ou amadurecimento interior. As vezes continuam crianças mesmo que independentes, com bons empregos e condições financeira o que se reflete nos seus relacionamentos pueris. Falo então de qualquer tipo de dependência psíquica. Há pessoas, por exemplo, que custam a se desvincular de relacionamentos que não existem mais e vivem como se eles existissem. Ao romper-se esse tipo de dependência aí sim mostramos que crescemos.
Crescer é aceitar a realidade como ela é. Crescer é asssumir responsabilidades. Ao fazer isso perdemos os nossos alibis, os nossos bodes expiatórios, aqueles em quem colocamos as culpas dos nossos fracassos e das nossas inseguranças. Crescer é saber que o erro é necessário e faz parte da vida, mas permanecer nele é burrice!
Crescer não é fácil mas é necessário. A criança em nós deve se ter como principal virtude a capacidade de crescer .... sempre!!!

Friday, April 01, 2011

Uma Parábola





A vida do homem era agradável e sua adoração era razoável. As duas coisa sempre andam juntas.

Deus não estava contente, de modo que permitiu que a vida do homem se tornasse desagradável. O homem reagiu de imediato com espanto. “como é possível? Como isso pôde acontecer comigo?”

Por trás do seu espanto se escondia a presunção, mas o homem não conseguia enxerga-la, pois pensava que era confiança: “Logo isso passa. Deus é fiel. A vida voltará a ser agradável”. Sua adoração continuava superficial.

Deus não estava contente e permitiu que mais coisas desagradáveis acontecessem na vida do homem, que tentou lidar com suas frustrações de forma positiva, como alguém que confia em Deus. “Serei paciente”, resolveu.

Não percebeu, no entanto, que seus esforços para ser paciente vinham da convicção  de que ele merecia uma vida agradável. Não ouviu seu próprio coração dizer: “se eu for paciente, Deus tornará as coisas agradáveis outra vez. Essa é a função dele.”

Sua adoração tornou-se uma forma de convencer Deus a restaurar sua vida agradável.

Deus não estava contente, de modo que afastou um pouco mais sua cerca de proteção ao redor do homem. A vida do homem transformou-se numa desgraça.

O homem ficou zangado. Deus parecia indiferente, impassível, insensível. A porta do céu se fechou e o homem sabia que não havia meio de força-lo a se abrir.

Ele só conseguia pensar em dias melhores – não nos dias melhores por vir, mas naqueles do passado, tempos que não existiam mais, que não davam qualquer sinal de que voltariam.

Seus maiores sonhos eram poder voltar àqueles tempos, voltar à vida agradável que um dia havia desfrutado e aos tempos em que sentira aquilo que chamava de alegria.

Não podia imaginar um sonho melhor do que voltar ao que era antes, mas  sabia que a vida nunca anda para trás. Os adultos nunca voltam a ser crianças e os idosos nunca recuperam a energia de seus anos mais produtivos.

Assim, o homem perdeu as esperanças. Deus havia retirado a sua benção e não havia qualquer sinal de que mudaria de ideia.

O homem entrou em depressão. Sua adoração cessou.

Deus não estava contente, do modo que liberou as forças do inferno sobre a vida do homem.

Tentações que antes eram controláveis tornaram-se irresistíveis. A dor de viver era tão grande que o prazer – ou, na verdade, o alívio – oferecido pelas tentações  parecia razoável e necessário. Porém, depois do prazer vinha um novo tipo de dor, uma aflição que obscurecia sua alma de tal modo que nem o sol mais radiante podia penetrar.

Tudo que o homem conseguia ver era a sua dor. Não conseguia ver Deus. Pensava ser capaz de vê-lo, mas o deus que enxergava era aquele cuja única função consistia em aliviar sua dor. Podia imaginar esse deus, mas não conseguia encontra-lo.

Dirigia-se ao único deus que conhecia e suplicava por sua ajuda. Por trás de suas súplicas quase podia ouvir seu coração dizendo: “Você me deve essa ajuda. Jamais poderei crer que merecia que tudo isso acontecesse. Essa dor não é minha culpa. Ela é culpa sua.

Sua adoração havia sempre assumido a forma de exigência, mas essa exigência tornou-se tão óbvio que o homem era quase capaz de reconhecê-la.

Deus não estava contente e, portanto deixou que as lutas persistissem. Além disso, Deus permitiu que mais problemas entrassem na vida do homem.

Com a parte do coração que sonhava seus maiores sonhos, o homem se assegurou de que jamais teria de enfrentar essas novas dificuldades que agora se encontravam em sua vida. Durante anos, havia dito em seu coração (sem nunca na verdade ter ouvido): “Isso jamais poderia acontecer comigo. Se acontecesse, minha vida estaria inacabada.  Se isso acontecesse, não teria outra escolha senão concluir que Deus não é bom. Seria obrigado a rejeitar Deus e ninguém, nem mesmo Deus, poderia me culpar.”

Mesmo assim,  o homem não conseguia ouvir o que seu coração estava  dizendo. Em vez disso, conseguia ouvir uma voz sedutora que fazia a pior tentação que já havia enfrentado – perder a esperança em Deus – parecer nobre, corajosamente desafiadora. Essa era a única maneira que restava do homem encontrar-se.

A batalha tornou-se cada vez mais acirrada, mas ainda restavam uma centelha de esperança. O homem se agarrou a essa esperança e, ao fazê-lo, não pôde ouvir seu coração dizer: “Tenho todo direito de desistir de minha fé. Não  entanto, estou escolhendo o caminho verdadeiramente nobre. Ainda creio em ti, Senhor. Ainda creio que tu estás presente e que minhas mais fervorosas esperanças de alegrias – quais e que minhas mais fervorosas esperanças de alegrias – quaisquer que ainda restem – encontram-se em ti. Por acaso isso te impressiona? Se isso não te impressiona, meu Deus como é que vou te comover?”

Sua adoração tornou-se mais desesperada do que nunca, mas o homem continuava orgulhoso.

Deus não estava contente e por isso permitiu que as atribulações do homem persistissem e que sua dor continuasse sem alívio. Deus se manteve afastado do homem. Não ofereceu nenhum conforto nem motivo palpável por esperanças. Foi difícil para Deus não melhorar todas as coisas na vida do homem. No entanto, foi ainda mais difícil não se revelar diretamente ao homem e assegurá-lo de sua presença.

Mas ele não fez isso. Deus tinha para o homem um sonho maior do que uma volta à vida agradável. Deseja que homem encontrasse  a verdadeira alegria. Ansiava por restaurar as esperanças do homem naquilo que era mais importante. No entanto, o homem ainda não sabia o que era isso.

A névoa ao redor da alma do homem tornou-se tão espessa que ele podia sentí-la, como paredes o cercando e se fechando ao seu redor. Restava apenas o mistério; sem dúvida, havia medo e até mesmo pavor, porém o sentimento mais acentuado era o de mistério, o mistério de uma vida terrível e de um Deus bom.

Onde estava Deus? Quando o homem tornou-se mais consciente de sua necessidade de Deus, o Senhor desapareceu. Não fazia sentido algum. Afinal, Deus estava presente ou não? Se estava, será que se importava?

O homem não podia desistir de Deus, Lembrou-se de Jacó e começou a lutar. Porém, lutou na escuridão, em trevas tão densas que não conseguia mais enxergar seus sonhos de uma vida agradável.

Na escuridão profunda não se pode ver, mas se pode ouvir, O homem pôde ouvir, pela primeira vez o que seu coração estava dizendo.

“Abençoa-me!”, clamou. Do mais profundo de sua alma, podia ouvir palavras que refletiam uma determinação de não se desprender de Deus.

“Abençoa-me!” Não porque eu sou bom, mas porque Tu és bom! Abençoa-me! não porque mereço tua benção, mas porque e da tua natureza abençoar. Tu não podes evitar. Não apelo para quem eu sou. Tu não meves coisa alguma. Apelo apenas para quem tu és.”

A dor ainda estava lá, mas então o homem viu a Deus. E o clamor por benção não era mais uma voz exigindo uma vida agradável. Era um clamor por aquilo que Deus queria fazer, por quem, ele era. O homem sentia que algo diferente – o começo da humildade. Mas justamente a natureza desse sentimento impedia-o de ver o que era.

O homem havia esquecido de si mesmo e descoberto seu desejo por Deus. Não encontrou Deus de imediato, mas tinha esperança – esperava que pudesse experimentar aquilo pelo que sua alma ansiava mais profundamente.

Então, seus olhos se abriram e ele viu água fresca borbulhando de uma fonte no deserto de sua alma. Era um novo sonho. Podia ver seus contornos tomarem forma. Era um sonho de conhecer a Deus verdadeiramente e de revelá-lo num mundo desagradável. O sonho adquiriu um enfoque específico; o homem viu de que modo poderia conhecer a Deus e revelá-lo a outros de forma só sua e de mais ninguém. Foi como voltar para cada.

Percebeu, no mesmo instante, que seu poder de falar a outros em nome de Deus e em meio à vida desagradável deles dependia de capacidade de falar do meio de seus dissabores. Nunca antes havia se sentido grato por suas dificuldades.

Seu sofrimento tornou-se para eles, uma passagem para o coração de Deus. Compartilhou a dor de Deus em seu grande projeto de redenção. Ao sofrer junto com Deus por uma mesma causa, o homem sentiu-se ainda mais próximo do Senhor.

Um novo pensamento lhe ocorreu. “Unir-me-ei a quaisquer força que estejam em oposição à raiz desse desprazer. Aliar-me-ei à bondade contra o mal. Não esperarei até ver mais claramente; o serviço que minhas mãos encontrarem. No entanto, permanecerei perto da minha fonte. Minha alma tem sede. Uma vida agradável não é água para minha alma; aquilo que vem de Deus – quem quer que seja Deus – isso sim, é a única e verdadeira água. E ela me basta”.

O homem adorou a Deus e Deus se agradou dele. Assim, Deus manteve a água borbulhando da fonte para a alma do homem. Quando o homem não bebia todas as manhas dessa fonte ou não voltava todas as noites para saciar-se outra vez, sua sede tornava-se insuportável.

Algumas coisas em sua vida melhoraram, enquanto outra não mudaram. Outras pioraram.

Mas o homem possuía novos sonhos e eram sonhos maiores do que uma vida agradável. Encontrou a coragem para busca-los. Tornou-se um homem esperançoso e sua esperança trouxe consigo a alegria.

Deus estava contente. E o homem também.





Larry Crabb
(introdução do livro - Sonhos despedaçados)

Tuesday, March 29, 2011

Insight

É luz
Dissipa a escuridão
É paz
Acalma o coração
Consciência mãe da decisão
Mistério sem explicação
De onde vem, quando, por que dessa iluminação?
Não sei, talvez nunca saberei ao certo
Por que só hoje parece claro o antes incorberto?
É o tempo e o espaço
O infinito da incompreensão
Pura conspiração do divino
Pra nossa transformação
Dando graça e sentido
a uma
vida sem razão

Saturday, March 19, 2011

Um inquilino indesejável

Essa semana terminava uma partitura varando a madrugada quando resolvi beber algo. Liguei a luz da cozinha e ouvi um barulho estranho. Desconfiado cheguei mais perto na certeza que não estava sozinho ali. Ao afastar um amontoado de sacolas plásticas, dessas de supermecado, nosso amigo surgiu voando num salto mortal para trás da geladeira. Foi rápido, mas a sensação de ter um rato na cozinha as três da manhã não é nada agradável.
O que fazer então? Pegar um cabo de vassoura e tentar matar o bicho. Eu me conheço. Primeiro não acertaria o infeliz, depois ainda correria o risco dele fugir pro meu quarto! Ainda tinha dúvidas se uma paulada só resolveria, pois achei o cidadão bem grandinho. Com sono, e sem coragem para essa odisseia deixei o moço pensar que o espreitava deixando a luz ligada, fechei a porta do quarto e fui dormir.
Pela manhão tomei as providências que me cabiam. Comprei veneno, armei as arapucas pro bichinho e esperei sinceramente que ele tivesse voltado pro lugar de onde veio para não ter o desprazer de encontra-lo frente a frente.
Esse tipo de problema acaba sendo fácil de resolver. Expulsamos o inquilino ou o matamos. Difícil é quando o mesmo se encontra dentro da gente como um pensamento ruim ou ansiedade que roi a alma, por exemplo. Aí não tem jeito, ou aprendemos a ignorá-los ou entrega-los a Deus, ou teremos que conviver com os mesmos no nosso dia a dia, sem planos de fuga ou raticida para esses ratos da nossa mente.

Monday, March 07, 2011

Conversa de bêbados!

O que uma reunião de homens para se embebedarem e discursarem sobre o desejo erótico ou o próprio Eros como um deus, sendo eles reconhecidamente pederastas em sua maioria, teria a nos dizer sobre o tema e sobre as relações amorosas que unem casais de qualquer natureza? Essa é a pergunta que se faz quando lemos "o banquete" de Platão, clássico da literatura universal e filosófica que resolvi ler nesse carnaval. Por que? Pura coincidência, procurava alguma coisa para anotar um endereço no aeroporto e achei que comprar o livro me traria um custo benefício estremamente atrativo. Acertei!
Muito embora, num primeiro momento, fiquei chocado com a naturalidade com que o homossexualismo é tratado no livro, pois não me lembrava como isto era comum na sociedade grega sendo o mesmo até estimulado na época, ao refletir no tema proposto vi que o erotismo presente nas nossas vidas quase nunca é pensado e entendido filosóficamente, e isso por incrível que pareça, faz diferença!
Segundo Platão, Eros tem como objetivo a busca do belo como desejo, entenda-se esse belo não como um padrão estético socialmente convencionado mas como aquilo que encanta e apaixona no outro e que queremos ter para nós, pois nos falta. Sua paixão escancarada por Sócrates baseava-se, por exemplo, não nos atributos físicos do mesmo, posto que era feio, mas na sua inteligência que o tornava o centro das suas atenções. Também, num dos discursos proferidos no livro, a relação entre o erasta (agente do desejo erótico - amante) e erômeno (alvo do desejo - amado) decorre da busca da metade perdida, como se fossemos incompletos pois na origem fomos separados pelos deuses. Essas e outras ideias desprovidas da mitologia grega, e sem a influência da cultura da época, foram sendo passadas pelas gerações e hoje de forma inconsciente ou não fundamentam as nossas relações com o erotismo.

Em particular, achei interessantíssimo a ampliação do significado do erótico como força propulsora do nosso querer. No entanto, o reconhecimento dos filósofos personagens do livro, entre eles o mais famoso Sócrates, de que embora manisfestado no corpo o alvo do erasta pode e, em tese, deveria ser outro, ou seja, a paixão não deveria brotar do encantamento do belo vindo da beleza física, associada a juventude (daí a pederastia), mas que para durar deveria repousar no campo da psiquê ou da alma humana é, pra mim, a grande contribuição do livro.

A leitura desprovida de crítica faz-nos encarar os diálogos como um grande conversa de bebados. Porém, a forma retórica com que proferem os discursos, independentemente dos argumentos, parece exaltar a arte da persuasão que tanto se esmeram os advogados no seu dia a dia, no entanto existe um interesse claro pela busca da verdade e da essência das coisas, e não do simples convencimento como faziam os sofistas, estes sim, bem mais parecidos com os profissionais citados anteriormente, pelo menos na sua maioria.

Entendo que devemos saber o que nos erotiza, o que nos atrai e encanta. Dessa forma entenderemos porque algumas pessoas nos acendem o desejo e outras não. Também que esse desejo pode ser uma expressão de uma lacuna interior, para além da necessidade comum de nos relacionarmos com alguém, ou daquilo que internalizamos como alvo da nossa admiração. Entender que esse processo é comum a todos nós também nos ajuda a conviver com nossas pulsões. vive-las ou controla-las dependendo do momento e do alvo das mesmas. Se vamos preencher esse encantamento de significado e romantismo é uma decisão que nos cabe tomar. Fomos feitos assim e uma das razões de nos casarmos é exatamente essa, de satisfazer esse erotismo inerente a cada um de nós.

Pensando bem, leitura mais apropiada do que esta para o período de Carnaval, acho que não encontraria.

De tranquilidade de Brasilia, onde carnaval é algo que não vi.

Saturday, February 26, 2011

Uma resposta pra vida

Como seria bom se tivéssemos resposta pra tudo. Que mudássemos a nossa vida sem dor ou sofrimento.
Que o nosso comportamento fosse sempre o melhor. Nossa vida, um conto de fadas, sempre com um final feliz. Não, não estou deprimido, apenas constato os nossos maus hábitos são mais fáceis de se obter que de se livrar. Que a nossa vontade nem sempre é suficientemente forte, que nem sempre entendemos o nosso modo de agir. Isso é antigo, na bíblia Paulo já falava isso.
A verdade é que sempre queremos respostas para os nossos problemas e dilemas só que elas nem sempre são tão simples como os programas de tv e os livros de auto-ajuda parecem sugerir. Não me digam que me falta encontrar Jesus pois minha relação com ele, apesar de conturbada, já tem muito tempo. O fato é que não só Paulo, o apóstolo, teve o privilégio de ter um espinho na carne, só que ouvir de Deus "a minha graça te basta" não é fácil, pra não dizer algo mais apropriado.
O que aconteceu é que encontrei pessoas como eu, com os mesmos problemas, para as quais a unica resposta que encontro é composta de uma única palavra: esperança!

Thursday, February 10, 2011

Epifania

Essa eu devo ao Bom dia Brasil da globo e ao meu querido chefe, com quem divido o apartamento aqui no Rio. Duas matérias chamaram-nos a atenção e ficamos comentando as mesmas. De repente descobrimos que dois assuntos aparentemente descorrelacionados tinham tudo a ver.
A primeira matéria versava sobre o entupimento dos anéis viários das grandes cidades, em particular citava Belo Horizonte como exemplo. Sergio comentou que o problema estava no crescimento exagerado dos grandes centros que centralizam o PIB nacional. Ele ele está mais que certo.  Em 2003, segundo o IBGE, apenas dez cidades eram responsáveis por mais de 25% do PIB nacional, todas capitais.
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=481&id_pagina=1

A situação de lá pra cá não mudou muito apesar do desenvolvimento que se vê em regiões como o nordeste do país, esse desenvolvimento pouco se expande para o interior. Falta aí planejamento. Demos aula ao mundo com Lucio Costa e Niemayer, mas parece que nós mesmos não replicamos o conhecimento internamente. Insistimos em favelar as cidades não desenvolvendo as periféricas, dando-lhes infra-estrutura de transporte, educação e saude e distribuindo o parque industrial nas mesmas, garantindo o trabalho segundo a vocação de cada uma. Dessa forma teríamos sempre cidades com cerca de 500 mil habitantes no máximo com vida própria e o desenvolvimento distribuido nos estados entre os municípios. Da forma que fazemos centralizando tudo em poucos centros criamos o caos urbano, a violência, a calamidade nas chuvas e intepéries e o entupimento de suas artérias que são as vias de acesso ás mesmas.

A outra reportagem versava sobre os médicos de família. Essa figura comum tempos atrás, antes que os planos de saúdem loteassem a privilegiada classe média que tenta não depender do Sus. A reportagem mostrava os benefícios dos médicos de familia, inclusive ao bolso dos que o utilizam. Tirando as questões microeconômicas envolvidas que desistimulam essa prática tão benéfica, novamente Sergio fez a correlação imediata com a reportagem anterior. É o mesmo problema. De novo acertou na mosca!

Existe um programa no SUS chamado PSF - Programa Saúde da Família, implantado ainda na gestão do ex ministro Ciro Gomes cujo o objetivo é justamente incentivar a existência do médico de família nas cidades loteando-as para médicos credenciados.
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=149

Isso acabou não vingando como deveria. Por que? O salário é bem razoável, partindo do princípio que este programa voltou-se para o interior dos estados. Exatamente por isso é difícil arranjar bons profissionais que queiram morar no interior. Os nossos médicos, como toda classe média, se encantam com os fascínios dos grandes centros e logo desistem quando não dão um jeito de atuarem como deputados, trabalhando apenas alguns dias da semana sem residir na localidade.

Acho que enquanto não nos voltarmos para longe dos grandes centros rumo ao interior do pais desenvolvendo-o teremos sempre de conviver com todos esses problemas que listei acima e outros mais decorrentes do inchaço das grandes cidades.

Tuesday, February 01, 2011

Conselhos de uma expert

Quando a pessoa tem experiência no assunto temos que ouvi-la com atenção. Vejam só as afirmações de uma expert em relacionamentos sobre às responsabilidades de cada um nesse projeto chamado relacionamento a dois:


1. O que o casal decide, ambos decidem - É comum quando alguma coisa não dá certo a parte que abriu mão de sua posição em favor do outro culpá-lo pelo malogro. No entanto, essa pessoa ao abrir mão de suas convições tomou uma decisão de faze-lo e assumiu o que o outro decidiu como sua decisão. Se tivesse dado certo, colheriam ambos os louros. Dando errado a responsabilidade é de ambos não de um só.

2. O perdão beneficia mais quem perdoa que quem é perdoado - Não perdoar é alimentar uma mágoa ou um rancor que não só nos afastará definitivamente daquela pessoa, mas pior, nos fará muito, mas muito mal. Independentemente dos rumos a serem tomados no relacionamento, o perdão é sinal que existe amor. Se o coração se fecha para o perdão é que ele se fechou para o amor antes. Portanto, por ser do amor, o perdão não precisa do merecimento do outro pra ser dado. Ele é fruto de graça para beneficio essencialmente de quem perdoa.

3. A nós cabe o arrependimento não o perdão do outro - Quando ofendemos ou machucamos quem amamos, e isso não é difícil de acontecer, não podemos forçar o outro a nos perdoar. Até porque essa responsabilidade nesse caso não é nossa conforme dito anteriormente. O que podemos fazer é nos arrependermos verdadeiramente. Se existir amor o perdão será inevitável, cedo ou tarde.

4. Amor é decisão - Quando se ama se decide que é aquela pessoa que realmente se quer viver e assume-se a decisão que se tomou. Não se fica olhando pro lado como se não tivesse satisfeito com o que tem, nem se cogita mudar mas se aposta na relação como projeto único que dará certo pois ambos estão imbuidos do propósito de fazê-la dar certo. Aqui novamente a responsabilidade é individual mas ambos precisam decidir amar e se doarem ao projeto comum senão a relação não vinga.

5. Amar é para os corajosos não para os covardes - É preciso ter coragem para amar ou talvez o amor nos torna corajosos. Diz a bíblia que o amor lança fora o medo. Se é assim, o verdadeiro amor nos levará a assumir compromissos de forma consciênte mas com a intepridez dos que navegam em águas desconhecidas. Sem essa coragem o melhor a fazer é se acostumar às relações fugazes baseadas no hoje sem nenhum amanhã. Aquelas relações que, quando ficam sérias, a gente termina pelo medo do compromisso.


Obs: Essa expert, por acaso, é a minha namorada ;-).
 

Friday, January 28, 2011

Oração da busca por um culpado!

Senhor livrai-me de não ter um culpado
Alguém que possa reclamar
E nele por toda a culpa
do amor que não soube encontrar

Que ele nunca me falte
Que nunca me abandone
Assim não encaro o medo
Assim não enfrento a fome
Assim não assumo o erro
E nem mesmo cruzo a ponte
Vivo sempre no passado
Não me abro pro presente
E deixo passivo a revolta
Tomar conta da minha mente


Sim ó Pai, não o deixe ir de mim
E aí ficar sem desculpas
E ter que encarar-me assim
Autor (ou pelo menos co-autor) dos meus fracassos
Responsável por escolhas
Que me abstive de fazer
De permanecer sofrendo
De passar os dias morrendo
Tendo a opção de viver

Pelo menos no diabo, nosso culpado mor
Me deixe, por favor, por a culpa
De não ter acordado
E ter de ti esperado
Um sinal do céu pra agir
De não ter me amado antes
Ou amado de verdade
Um amor não merecido que tanto se precisava
Um amor bem decidido
Desses que procurava

Livrai-me da falta de culpados
Assim não preciso crescer
E entender que até você
Teve que enfrentar sozinho
E a cruz pelo seu caminho
Nem precisava a levar
Mas não se absteve de amar
E sem culpa assumiu as dos outros
Pois amou quem não lhe amou e ponto
Por quantos decidiu se dar

Monday, January 24, 2011

A arte de acreditar no melhor!

Hoje estava pensando, como as vezes é difícil crer que algo vai dar certo, que o pior não aconteceu e que não há o que se preocupar em relação as coisas e as pessoas com as quais nos relacionamos. Me parece que ir de encontro a esses pensamentos que embutem em si sentimentos de insegurança e impotência é um verdadeiro exercício de fé. É preciso reprogramar a mente para acreditar no melhor. Assim, se seu filho demora a chegar em casa e não lhe liga é porque está se divertindo muito com os amigos e não porque lhe aconteceu algo de grave (aliás quando isso acontece normalmente sabemos de imediato!); se ele, por sua vez encontra-se distante, numa viagem ao exterior por exemplo, e o telefone só toca e ele não atende é porque ele deixou o mesmo carregando no hotel e esqueceu-se de levá-lo consigo e não porque foi sequestrado; se o novo relacionamento ou negócio que abriu está bom demais é porque realmente é bom e vai durar e não o contrário. Por que não dará certo?
Parece que somos programados para não acreditar ou acreditar no pior. Não é a toa que os gurus de auto-ajuda deitam e rolam em cima dos nossos medos e na nossa incapacidade de acreditar, principalmente em nós mesmos. Em parte eles tem razão. Nossa auto-imagem conta muito pois se não nos sentimos merecedores de coisas boas e do sucesso dos nossos empreendimentos difícilmente outros acreditarão em nossos esforços como dignos de reconhecimento e recompensa. No entanto, acho que o buraco aí é mais embaixo. É uma questão mesmo de fé.
Na minha visão de fé, não religiosa, é me dito que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus e, sinceramente, não tenho muito o que questionar esse amor, apesar do meu relacionamento meio difícil com esse ser que é puro mistério e ao mesmo tempo incrivelmente próximo. Assim, quem vive essa ótica, tem que acreditar que tudo o que lhe acontece o leva para frente e nunca para trás. Mesmo as perdas, de qualquer tipo, separações, distâncias, desencontros, tudo acaba contribuindo para construção do novo, do mais perfeito, do encontro, da realização e da glória, que pode não ser a dos homens, mas certamente é sua por ter cumprido a carreira e vencido! É o sentido de missão, de propósito na existência, que quando não se desiste acaba se realizando na vida, de uma forma ou de outra.
Para se viver nessa dimensão é preciso coragem. Coragem para admitir que seus sonhos foram ceifados pelo medo e reprogramar sua mente com base no amor. Acreditar que pelo menos Ele lhe ama faz uma diferença grande na vida de quem crê. Quando reconhecemos esse amor em outros aí a revolução está feita!
Esse não é um discurso religioso, mas de uma espiritualidade viva que faz uma enorme diferença quando a praticamos.
Viver assim é uma arte, a arte de acreditar no bem, no próximo, no melhor, no amor, em Deus e outras coisas que esse nosso mundo insiste em jogar para o reino da fantasia e da ingenuidade. Bem aventurados esses puros de coração pois certamente verão aquilo que acreditam e viverão seus sonhos.

Rio de Janeiro,  24/01/11

Thursday, January 20, 2011

Aniversário feliz

Já passei por diversas vezes o meu aniversário sozinho. Me lembro de ter passado um viajando pra São Paulo do lado de um jovem de origem rural que certamente tinha deixado atrás alguma desilusão amorosa pois o que esse cidadão ouvia o Leandro e o Leonardo no auge do "pense em mim, chore por mim ... " não era brincadeira não. Pro meu desespero quase decoro o disco todo!
Outros foram felizes por serem comemorados em familia.
Alguns tiveram um quarto de hotel, ou um apartamento vazio como companheiros e foram estes os mais tristes.
Essa semana cheguei a comemora-lo duas vezes no mesmo dia, como os colegas de trabalho e alguns queridos irmãos da igreja. A única coisa que me faltou foi a presença dos filhos compesada com a vinda deles pro Rio no dia posterior.
Assim só tenho a agradecer a Deus pelo carinho recebido de todos. O amor é dom de Deus. Vem do céu pra gente e quando recebemos tanto de tantos temos que agradecer aquele que nos amou primeiro.

Tuesday, January 11, 2011

A beleza da alma

Todos os dias me deparo com a cultura da boa forma, geração saúde. São corpos perfeitos, beirando o ideal atlético, quando não modelados por bisturis. É o culto ao corpo e a beleza estética. Nesse ambiente acontece um fenômeno nos relacionamentos muito interessante. Começamos a nos interessar pelos outros segundo a estética das pessoas e não pelo conteúdo das mesmas. Como assim? - você me perguntaria. Conteudo? Sim, conteúdo, alma, aquilo que está dentro e não fora. O que não pode se identificar com os olhos somente, mas precisam da ajuda de um coração disposto a conhecer realmente as pessoas.
Outro dia, caminhando na praia com uma amiga do trabalho, ela se referia ao medo que tinha das pessoas aqui no Rio decorrente de uma experiência terrível que teve logo quando chegou. Foi pega de surpresa ao sair de uma estação de metrô por uma perseguição policial e se viu impotente tendo que se proteger de balas perdidas. Ao olhar para alguém de cor ela já olhava desconfiada, como se a cor por si só fosse sinal de marginalidade. Ao ver meu olhar despreocupado e indiferente à aparência das pessoas ela se impressionou e verificou que talvez o olhar dela estivesse carregado de preconceito.
Pré-conceito. Um conceito anterior ao olhar que nos faz olhar diferente. É exatamente isso que acontece. Se moldamos o nosso senso estético com modelos de beleza nórdicos vai ser muito difícil apreciar a beleza de uma negra, por mais bela e sensual que ela seja. Adotamos esses modelos e eles vão moldando os nossos gostos. Assim quando nos aproximamos de alguém com algum interesse, esse interesse normalmente estará sendo influenciado por algum desses modelos.
Mas existe algo que também nos atrai nas pessoas e que é infinitamente mais forte que o padrão estético: a beleza da alma.
Vinicius de Moraes certa vez disse: "as muito feias que me perdoem mas beleza é fundamental". Prefiro o verso do Tom em Wave ..."fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho!".  A beleza está nos olhos de quem vê. Se não educarmos os nossos olhos para vermos o interior das pessoas iremos nos apaixonar por canalhas ou vadias estéticamente perfeitas e deixarmos de nos relacionar com seres humanos acima da média por não serem "bonitos", terem uns quilos a mais ou algo parecido. Como se fossemos também perfeitos, verdadeiros manequins.
Quem se preocupa de nos conhecer de verdade? Quem gosta da gente pelo que a gente é e não pelo que temos pra dar? Quem se identifica com os nossos sonhos? Quem reparte conosco os nossos gostos e anda conosco o nosso caminhar? Quem se alegra com a nossa chegada e anseia nos ver novamente quando partimos? Quem ri das nossas bobagens e das nossas mancadas e micos não faz uma tempestade e nos perdoa a humanidade da nossa imperfeição? Quem ri das nossas piadas, por pura educação, e reparte conosco a mesma emoção?
São essas pessoas que valem a pena estar, viver, abraçar, beijar e amar. São nossos amigos leais e sinceros. Gostam da gente de verdade!
E se encontramos alguém que alem disso tudo nos enche de outro tipo de amor? Aí é agradecer a Deus e viver isso seja como ela for.
É fundamental nesses casos entender também o seguinte: a nossa alma vai atrás de quem ela se dá. Vai ser difícil se apaixonar pela alma de alguém cujos valores e estilos de vida nos sejam muito diferentes. Quando nos identificamos com alguém ou é porque esse alguém é semelhante a nós ou é tudo que nós queriamos ser ou ter do lado. Quando nosso olhar não consegue enxergar a beleza da alma de alguém, em sendo esta pessoa bela, nos falta o treinamento de olhar direito, sem rancores, medos, falsos interesses, mágoas ou preconceitos.

"... se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será" - Jesus Cristo.