Monday, January 24, 2011

A arte de acreditar no melhor!

Hoje estava pensando, como as vezes é difícil crer que algo vai dar certo, que o pior não aconteceu e que não há o que se preocupar em relação as coisas e as pessoas com as quais nos relacionamos. Me parece que ir de encontro a esses pensamentos que embutem em si sentimentos de insegurança e impotência é um verdadeiro exercício de fé. É preciso reprogramar a mente para acreditar no melhor. Assim, se seu filho demora a chegar em casa e não lhe liga é porque está se divertindo muito com os amigos e não porque lhe aconteceu algo de grave (aliás quando isso acontece normalmente sabemos de imediato!); se ele, por sua vez encontra-se distante, numa viagem ao exterior por exemplo, e o telefone só toca e ele não atende é porque ele deixou o mesmo carregando no hotel e esqueceu-se de levá-lo consigo e não porque foi sequestrado; se o novo relacionamento ou negócio que abriu está bom demais é porque realmente é bom e vai durar e não o contrário. Por que não dará certo?
Parece que somos programados para não acreditar ou acreditar no pior. Não é a toa que os gurus de auto-ajuda deitam e rolam em cima dos nossos medos e na nossa incapacidade de acreditar, principalmente em nós mesmos. Em parte eles tem razão. Nossa auto-imagem conta muito pois se não nos sentimos merecedores de coisas boas e do sucesso dos nossos empreendimentos difícilmente outros acreditarão em nossos esforços como dignos de reconhecimento e recompensa. No entanto, acho que o buraco aí é mais embaixo. É uma questão mesmo de fé.
Na minha visão de fé, não religiosa, é me dito que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus e, sinceramente, não tenho muito o que questionar esse amor, apesar do meu relacionamento meio difícil com esse ser que é puro mistério e ao mesmo tempo incrivelmente próximo. Assim, quem vive essa ótica, tem que acreditar que tudo o que lhe acontece o leva para frente e nunca para trás. Mesmo as perdas, de qualquer tipo, separações, distâncias, desencontros, tudo acaba contribuindo para construção do novo, do mais perfeito, do encontro, da realização e da glória, que pode não ser a dos homens, mas certamente é sua por ter cumprido a carreira e vencido! É o sentido de missão, de propósito na existência, que quando não se desiste acaba se realizando na vida, de uma forma ou de outra.
Para se viver nessa dimensão é preciso coragem. Coragem para admitir que seus sonhos foram ceifados pelo medo e reprogramar sua mente com base no amor. Acreditar que pelo menos Ele lhe ama faz uma diferença grande na vida de quem crê. Quando reconhecemos esse amor em outros aí a revolução está feita!
Esse não é um discurso religioso, mas de uma espiritualidade viva que faz uma enorme diferença quando a praticamos.
Viver assim é uma arte, a arte de acreditar no bem, no próximo, no melhor, no amor, em Deus e outras coisas que esse nosso mundo insiste em jogar para o reino da fantasia e da ingenuidade. Bem aventurados esses puros de coração pois certamente verão aquilo que acreditam e viverão seus sonhos.

Rio de Janeiro,  24/01/11

Thursday, January 20, 2011

Aniversário feliz

Já passei por diversas vezes o meu aniversário sozinho. Me lembro de ter passado um viajando pra São Paulo do lado de um jovem de origem rural que certamente tinha deixado atrás alguma desilusão amorosa pois o que esse cidadão ouvia o Leandro e o Leonardo no auge do "pense em mim, chore por mim ... " não era brincadeira não. Pro meu desespero quase decoro o disco todo!
Outros foram felizes por serem comemorados em familia.
Alguns tiveram um quarto de hotel, ou um apartamento vazio como companheiros e foram estes os mais tristes.
Essa semana cheguei a comemora-lo duas vezes no mesmo dia, como os colegas de trabalho e alguns queridos irmãos da igreja. A única coisa que me faltou foi a presença dos filhos compesada com a vinda deles pro Rio no dia posterior.
Assim só tenho a agradecer a Deus pelo carinho recebido de todos. O amor é dom de Deus. Vem do céu pra gente e quando recebemos tanto de tantos temos que agradecer aquele que nos amou primeiro.

Tuesday, January 11, 2011

A beleza da alma

Todos os dias me deparo com a cultura da boa forma, geração saúde. São corpos perfeitos, beirando o ideal atlético, quando não modelados por bisturis. É o culto ao corpo e a beleza estética. Nesse ambiente acontece um fenômeno nos relacionamentos muito interessante. Começamos a nos interessar pelos outros segundo a estética das pessoas e não pelo conteúdo das mesmas. Como assim? - você me perguntaria. Conteudo? Sim, conteúdo, alma, aquilo que está dentro e não fora. O que não pode se identificar com os olhos somente, mas precisam da ajuda de um coração disposto a conhecer realmente as pessoas.
Outro dia, caminhando na praia com uma amiga do trabalho, ela se referia ao medo que tinha das pessoas aqui no Rio decorrente de uma experiência terrível que teve logo quando chegou. Foi pega de surpresa ao sair de uma estação de metrô por uma perseguição policial e se viu impotente tendo que se proteger de balas perdidas. Ao olhar para alguém de cor ela já olhava desconfiada, como se a cor por si só fosse sinal de marginalidade. Ao ver meu olhar despreocupado e indiferente à aparência das pessoas ela se impressionou e verificou que talvez o olhar dela estivesse carregado de preconceito.
Pré-conceito. Um conceito anterior ao olhar que nos faz olhar diferente. É exatamente isso que acontece. Se moldamos o nosso senso estético com modelos de beleza nórdicos vai ser muito difícil apreciar a beleza de uma negra, por mais bela e sensual que ela seja. Adotamos esses modelos e eles vão moldando os nossos gostos. Assim quando nos aproximamos de alguém com algum interesse, esse interesse normalmente estará sendo influenciado por algum desses modelos.
Mas existe algo que também nos atrai nas pessoas e que é infinitamente mais forte que o padrão estético: a beleza da alma.
Vinicius de Moraes certa vez disse: "as muito feias que me perdoem mas beleza é fundamental". Prefiro o verso do Tom em Wave ..."fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho!".  A beleza está nos olhos de quem vê. Se não educarmos os nossos olhos para vermos o interior das pessoas iremos nos apaixonar por canalhas ou vadias estéticamente perfeitas e deixarmos de nos relacionar com seres humanos acima da média por não serem "bonitos", terem uns quilos a mais ou algo parecido. Como se fossemos também perfeitos, verdadeiros manequins.
Quem se preocupa de nos conhecer de verdade? Quem gosta da gente pelo que a gente é e não pelo que temos pra dar? Quem se identifica com os nossos sonhos? Quem reparte conosco os nossos gostos e anda conosco o nosso caminhar? Quem se alegra com a nossa chegada e anseia nos ver novamente quando partimos? Quem ri das nossas bobagens e das nossas mancadas e micos não faz uma tempestade e nos perdoa a humanidade da nossa imperfeição? Quem ri das nossas piadas, por pura educação, e reparte conosco a mesma emoção?
São essas pessoas que valem a pena estar, viver, abraçar, beijar e amar. São nossos amigos leais e sinceros. Gostam da gente de verdade!
E se encontramos alguém que alem disso tudo nos enche de outro tipo de amor? Aí é agradecer a Deus e viver isso seja como ela for.
É fundamental nesses casos entender também o seguinte: a nossa alma vai atrás de quem ela se dá. Vai ser difícil se apaixonar pela alma de alguém cujos valores e estilos de vida nos sejam muito diferentes. Quando nos identificamos com alguém ou é porque esse alguém é semelhante a nós ou é tudo que nós queriamos ser ou ter do lado. Quando nosso olhar não consegue enxergar a beleza da alma de alguém, em sendo esta pessoa bela, nos falta o treinamento de olhar direito, sem rancores, medos, falsos interesses, mágoas ou preconceitos.

"... se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será" - Jesus Cristo.

Saturday, January 01, 2011

Essa marvada!!!

Aconteceu ontem ao voltar pra casa. Um vizinho que até então não conhecia chegou quase arrastado pela mulher, pra lá de bagdá, pois tinha tomado todas e mais um pouco nas bebemorações de ano novo. Não obstante berrava:
- Eu ganhei na megasena do ano novo!!! Eu ganhei !!!
Enquanto a mulher punha-lhe a mão na boca envergonhada pedindo-lhe que parasse ele continuava.
- Ganhei, ganhei na megasena!
Um o outro engraçadinho respondinha : "- Me empresta então". A maioria, no entanto, ria da situação ridícula que ele patrocinava.
Conversei com ele hoje pela manhã mais sóbrio, pelo menos assim achei, e perguntei-lhe se lembrava do que tinha dito ontem. Nada. Quando lhe contei o que tinha feito rimos juntos do episódio.
É...beber é para quem sabe, quem não sabe paga mico ou coisa pior.

Friday, December 31, 2010

Virada de ano



Coisas a se fazer antes de morrer:

Passar um reveillon em Copacabana ...  Feito!

Ao lado dos que amo ... ops, dessa vez não deu ... e fez falta!

Quem sabe ano que vem?

Sunday, December 26, 2010

Projeto Verão


Desisto! Não resisti aos apelos de Ipanema para que eu entre em forma. É muita gente sarada e bonita desfilando por aqui!  Não dá pra não ficar encabulado com um pneuzinho aqui e outro acolá. Academia de graça na praia com aulas e tudo mais, mil e um motivos para dar uma corridinha na praia, desde o visual do arpoador até as beldades que vez por outra a gente topa (força da expressão que fique claro!), sem acreditar no que está vendo. Enfim, não tenho desculpas e me imbuí do espírito carioca do verão com tudo em cima para dar uma melhorada no condicionamento físico.
Vou aproveitar também para acertar o passo num curso de dança de salão assim junto o útil ao agradável. Fico em forma e me divirto.
Só não vou entrar nessa de tatuagem. Nunca vi povo mais tatuado. É como diz meu mano Percio “parece que sentem um prazer de tornarem um quadro ambulante pra todo mundo ver”, e eu complemento; mesmo que a moldura esteja, digamos, meio sem forma. Sim, porque pra se ver a tatuagem se olha pro corpo e as vezes isso é tão penoso. Acho que vira mania. Começa com uma, depois outra, quando se vê está o corpo todo cheio de mensagens que depois podem perder o significado mas estarão lá para lembrá-los do quanto lhes moveu a paixão.
Se um dia me tatuasse colocaria motivos relacionados ao amor e não a paixão. Meus filhos e Deus são os candidatos naturais das homenagens. Quanto às mulheres já nos marcam o coração e a alma, não precisam que nos marquem a pele também de forma que não as esqueçamos jamais!

Saturday, December 25, 2010

Thursday, December 23, 2010

Mensagem de Natal

Esse ano não terei a companhia dos filhos no Natal.  Não é a primeira vez mas talvez nunca quis tanto tê-los perto. Acho que quando convivia com eles não os tinha tão próximos a mim como os tenho hoje, mesmo distante. Daí porque o Natal esse ano me faz refletir num monte coisas.


Primeiro, muitos terão o privilégio que não terei e se reunirão em família ao redor de uma mesa farta, a ceia de natal. Também me reunirei em família, de gente maravilhosa que Deus me deu, mas por mais queridos que sejam não substituirão o estar com os filhos no natal. No entanto muitos também não reflitirão o quão abençoados são os que podem repetir esse momento todos os dias do ano, mesmo sem presentes mas com presença, principalmente na vida dos próprios filhos.
Segundo, muitos não terão ceia, pois mal terão o que comer. No entanto o natal poderá significar a esperança do re-nascimento e da sobrevivência por meio da atitude de alguém que realmente entendeu o espírito da ocasião.
Terceiro, Cristo certamente não nasceu nessa época e a data, originalmente uma comemoração pagã do deus sol. O dia 25 foi aproveitado por Constantino no sincretismo religioso e político que se tornou a igreja romana bem como todo o cristianismo que dela se derivou. No entanto, lembrar de um menino numa manjedoura sendo esse menino simplesmente Emanuel – Deus conosco faz a gente pensar como Deus é simples, e como tem dificuldades de encontrar um berço, e acaba nascendo nos lugares mais humildes, para nos mostrar que um coração altivo e soberbo nunca o verá.
Dessa forma, viver o natal não é festejar a família, como muitos pensam, nem fazer a alegria dos lojistas gastando seu décimo terceiro, mas reconhecer-se manjedoura na qual Jesus possa deitar e descansar. É esse o meu desejo pra mim, e o que quero pra mim quero para todos os meus amigos e irmãos.
Amém

Sunday, December 19, 2010

Causos de Ipanema


Andava eu pela Visconde de Pirajá fazendo pesquisa de preço para comprar uma cama, já que a duas semanas durmo em um colchonete e já estou me acostumando com a dureza do chão. Antes que isso acontecesse e, atendendo o pedido do meu amigo e colega de moradia, que encerrasse de vez essa vida de acampante e me estabelecesse morador do apartamento que divido com ele.
Após achar uma loja de colchões estava a procura de uma outra para comparar o preço que achara quando resolvi perguntar a uma cabeleireira que tinha dado uma pausa no trabalho para fumar na calçada.
- A senhora saberia me dizer onde encontro uma outra loja de colchões? – perguntei.
- Você tem celular com internet? – sua resposta não poderia ter me causado mais surpresa. Me limitei a responder;
-Sim.
- Então entra na galeria, tem internet free (Wi-fi), consulta lá os preços e ai você já vê endereço e tudo mais. Euzinha mesmo não sei de outra loja por aqui não.
Atônito com a resposta da mulher tive vontade de dizer-lhe que o especialista em TI (tecnologia da informação) ali era eu mas se é uma coisa que aprendi é reconhecer quando alguém fala algo irrefutavelmente certo. E lá fui eu para onde teria que ter ido primeiro ... à Internet!

Sunday, December 12, 2010

Primeira semana no Rio


O que vou dizer dessa primeira semana?  Que o Rio é lindo, a cidade mais bonita do mundo é senso comum. Que essa beleza se completa com as pessoas que desfilam por aqui, é fato. Descrever a beleza das cariocas é entender o porque da “garota de Ipanema” e tantas outras músicas que a exaltaram e a razão dos poemas de Vinícius de Moraes, que tanto a declamaram.
Mas o que marcou mesmo minha primeira semana foram os reencontros. Primeiro os da Oi que possui nos seus quadros no Rio vários colegas como quem já trabalhei. Entre eles, está o meu chefe e amigo  pessoal Sergio com quem aprendi desde cedo de que chefia não impede a amizade, na contramão do que os RHs de hoje em dia preconizam. Chamam-no hoje de paternalista por defender a equipe ter com ela um bom relacionamento com os mesmos, coisas que aprendi com o ele serem obrigatórias de um verdadeiro lider.
Outro reencontro especial foi com o meu quase irmão, amigo de adolescência, Percio Campos por quem nutria uma saudade e uma vontade de rever que foi satisfeita esse final de semana.
O Rio está prometendo muito...e eu adorando tudo isso!

Monday, November 29, 2010

Bye, Bye Belém!

Sexta passada deixei Belém em definitivo rumo ao Rio de Janeiro. Mudança esta acompanhada de várias outras que sei, me mudarão por dentro novamente. Nos últimos anos tem sido assim. Mudo e algo muda dentro em mim no processo da mudança!
Ficar em Belém esse ano foi muito bom apesar da distância dos filhos e a falta de um amor do lado.
Deixo novos amigos, alguns especiais, na certeza que sempre haverá festa nos nossos reencontros. Festa, que por sinal, não me faltou por lá.

Obrigado Belém por tudo!

Vamos ver o que nos espera de agora em diante ...

Espero o melhor!

Saturday, November 20, 2010

Paz

De repente, a paz tomou uma importância maior

E eu vi que não a tinha

A ansiedade a tomara

Num momento, já não existia.

Mas nessa hora uma palavra

Um alerta veio-me à mente

Não dá pra deixar de ser gente

Mas dá pra entregar o caminho

O que quero

Desejo

Espero

Preciso

Virá quando não esperar

E não mais pensar nisso


 

Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão

Monday, November 15, 2010

Estou mordido!

Não, não estou com raiva, não! Pelo menos não que eu saiba. Fui só mordido por um cachorro hoje.

A coisa aconteceu na praia da ilha de Mosqueiro, perto de Belém. Naturalmente, uma tentativa de fazer o meu feriado algo diferente. Tentativa bem sucedida, diga-se de passagem! Mal pus os pés na praia me dispus a fazer uma caminhada, coisa que gosto de fazer, para conhecer o local antes de comer alguma coisa de almoço. No meio da bendita caminhada sou surpreendido por trás (além de cachorro era covarde!) por um cachorro que parece ter confundido meu tornozelo com algum osso que gosta muito ou tava com raiva de mim.

Se tava com raiva ela passou pra mim instantaneamente pois assim que livrei minha perna da boca dele parti pra cima do infeliz que nem o Tarzan, gritando mais alto do que ele latia. Não me pergunte por que fiz isso. Acho que ele não me inspirou medo. Foi como se eu dissesse pra ele: Vai encarar? Ele desistiu e foi embora.

Depois foi uma romaria entre hospital, onde fiz os curativos no tornozelo, e o posto de saúde onde tomei a primeira dose da vacina anti-rábica. Vai dizer que não foi diferente o meu feriado?


 

O tempo e as jabuticabas



'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.




Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.


Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
 de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'

O essencial faz a vida valer a pena.


Rubem Alves

Saturday, November 13, 2010

O homem é um espanto!


Quanto mais me relaciono e conheço gente fico espantado com o ser humano. Com a capacidade de amar e de desprezar o amor. Com a capacidade de usar de sabedoria, e aprender com ela, mas também de confundi-la com conhecimento. De fugir da melancolia em festas sem fantasia alguma mas onde todos usam máscaras. Só o homem é capaz de apaixonar-se perdidamente por alguém e anos depois ver aquela pessoa com a indiferença dos desconhecidos. Só ele, pode viver a fama e a glória numa hora e se tornar depois esquecido.

É o homem ... esse desconhecido.

Mas o que mais me surpreende é quando ouço a verdade e a justiça saírem de lábios "suspeitos" e a mentira de bocas "santas". Quando julgamos os que expõem suas fraquezas e louvamos os que as escondem.

Realmente, essa contradição que é o ser humano realmente me espanta!

Saturday, November 06, 2010

Lembranças de Airton Senna

Nesse domingo teremos Grande Prêmio Brasil de Formula 1. Sou um viciado em formula que acompanho desde o final dos anos 70. Acompanhei, portanto o nascimento e crescimento de um fenômeno das pistas que se tornou, na opinião de muitos com eu, o maior piloto de todos os tempos: Airton Senna da Silva!
Essa semana mais um documentário sobre a sua vida estréia nos cinemas, que devo assistir  assim que possível (vide trailer abaixo).
Airton foi um ícone do esporte e alguém muito especial para mim e para milhares de brasileiros que acompanharam sua carreira e lhe devotaram uma admiração sem igual.  Existia nele uma obstinação pela vitória e uma capacidade de desafiar limites que nos inspirava todas as manhãs de domingo, quando acompanhávamos as suas maravilhosas performances nas pistas de todo mundo. Sua paixão pela velocidade contaminou o pais e nos tornamos também apaixonados por Formula 1, e por ele.
Airton tinha fé mística em Deus e chegou certa vez a dizer que o tinha visto em uma visão quando cruzara a linha de chegada de uma corrida. Sua obstinação em conseguir o que queria e em vencer gerava em nós uma ilusão de que nos representava, de alguma forma, nas suas conquistas.  De certa forma, ao erguer a bandeira nacional após cada vitória ele incorporava e alimentava esse sentimento, como também ao nos incluir nas suas vitorias dizendo "a gente" tinha que vencer desta vez, como fazia.
No entanto, em 1 de maio de 1994, participava de uma feijoada patrocinada pela igreja em que era membro na época quando recebemos a noticia da confirmação da morte do Airton. É impressionante que me lembro da data, das circunstancias, do acidente, de tudo como se tivesse ocorrido com alguém próximo e muito querido. Mas era assim que o víamos. Foi um choque, e traumas assim são difíceis de esquecer.
É certo, e muitos analistas esportivos irão concordar comigo, que Michael Schumacher, o maior campeão e vencedor das pistas de formula 1, não teria metade das vitórias que teve se Senna tivesse prosseguido na sua carreira. Até aquele domingo, Schumacher havia vencido Senna mas nunca tinha conseguido uma pole-position em disputa direta com ele, mesmo com um carro, na época superior ao do Airton. Foi, alías, a frente de Schumacher que ele encontrou a, depois do acidente, famosa curva Tamburello do circuito de Ímola da Itália. Uma tragédia de alguma forma pressentida pelo próprio Airton num final de semana cheio de acidentes, mas não evitada. Na sexta o piloto austríaco Roland Ratzenberger havia morrido nos treinos de classificação. No mesmo, o jovem Rubens Barrichello também se acidentara e a corrida começou também com um acidente na largada que pode ter contribuído também para morte do grande campeão das pistas (vide vídeo).


O saldo da sua morte pode ser contabilizado pelas modificações ocorridas nos carros de formula 1 e circuitos a partir daí. Hoje uma acidente fatal na categoria é algo infinitamente mais difícil de acontecer que naquela época tal a segurança hoje imposta. O circuito de Imola foi modificado bem como vários circuitos visando o aumento da segurança. Os carros ganharam células de sobrevivência que são incrivelmente eficientes.
Pra mim, o Airton nos deixou uma lição de que, quando desafiamos os nossos limites, é possível vencê-los com aplicação e talento. No entanto, é preciso saber que somos homens e não deuses, portanto mortais e falhos. O erro, a fatalidade, a nossa Tamburello pode nos encontrar quando menos esperarmos e é preciso estarmos prontos para ela.

Foi-se o homem e ficou o mito que mesmo depois de 16 anos continuamos a celebrar.


Tuesday, November 02, 2010

A fórmula da felicidade III

Comecei a escrever sobre o tema da felicidade como uma necessidade de por pra fora um turbilhão de idéias e convicções que explodiram a medida que li a introdução do livro de Zigmunt Bauman – A arte da vida. Os que lerem o livro irão reconhecer algumas das idéias nele contidas no primeiro texto, mas não todas nem da forma como as expus. Minha intenção é realizar uma síntese a partir das minhas reflexões sobre o assunto a partir do que leio e de como interpreto o que leio.

Nesse texto, sequência do anterior, e que já antecipo não será conclusivo, convido você a fazer a mesma coisa. Refletir acerca da felicidade a partir do que ler nos próximos parágrafos.

Concluímos o texto anterior com algumas perguntas:

O que é felicidade? Como obtê-la?

Vamos tentar avançar na resposta dessas perguntas partindo de um argumento filosófico, o de que a felicidade é uma construção individual. Assim sendo, a felicidade sob o ponto de vista de uma Madre Tereza de Calcutá ou de um Gandhi, por exemplo, terá diferenças significativas com a da Madona, Angelina Julie ou qualquer outro ícone pop atual. Não obstante, existirão traços comuns entre estas construções, frutos das escolhas tomadas por cada uma das pessoas citadas. O que estou tentando dizer é que a mesma atitude ou vivência relacional traz sentimentos e sensações semelhantes em todos nós, por exemplo, uma ajuda sincera ao semelhante gera uma satisfação universal em qualquer ser humano que contribui para a felicidade do outro. No entanto, abrir mão dos próprios interesses imediatos, e do seu tempo pra ser simples, e fazê-lo pode ser uma decisão difícil para muitos de nós.

Para entender o que significa felicidade, precisaremos primeiramente definir se ela é, para nós, um estado de espírito, ou a soma de momentos ou episódios felizes.

Se optarmos pela primeira opção estaremos na companhia dos filósofos clássicos. Aristóteles, por exemplo, acreditava que este estado era obtido pela obtenção de bens "internos" e "externos", cuja lista teria fundamentação empírica e poderia ser relatada por todos os cidadãos de Atenas, como: bom berço, muitos amigos, bons amigos, riqueza, bons filhos, saúde e por ai vai. Essa é a mesma concepção de quem pensa hoje, se eu tivesse isso ou aquilo seria feliz. O fato é que o sentimento de felicidade ou contentamento com a própria vida, por aqueles que o professam, em sua maioria independe da lista de bens que possuem. Existem pessoas ricas de tudo no mundo e pobres de felicidade e vice-versa. No entanto, a concepção aristotélica de um estado de felicidade contínuo e permanente, a partir do alcance de determinado patamar, acompanhou o pensamento humano ao longo dos séculos e é o prometido pela maioria dos discursos religiosos. Contemporaneamente esse "estado de felicidade" tem sido trocado pela "busca de felicidade", nas palavras de Tocqueville, "a felicidade é uma qualidade que se retira diante deles sem sair de vista, e ao se retirar acena para a busca. A cada instante eles pensam que conseguirão capturá-la, e a cada vez ela escorregará por entre seus dedos" (Alexis de Tocqueville, Democracy in America, New York, Harper,1988, p. 538). Em suma, o casal tem tudo pra ser feliz, casa própria, carro, bons empregos, filhos maravilhosos, ótimo padrão social, enfim tudo que todos parecem buscar a vida toda e, no entanto, se separam, pois estão infelizes. Falta-lhes a busca que o mantinham vivos. Quando chegaram onde miraram chegar permanecer ali é um tormento de monotonia. Tocquevilhe, na mesma análise sobre a sociedade americana, complementa; " essa é a razão da estranha melancolia que frequentemente assombra os habitantes das democracias em meio a abundância, e daquele desgosto pela vida que por vezes toma conta deles em condições de calma e tranqüilidade".

Fico imaginando que para o homem moderno a idéia de um céu, conforme retratada no livro de Apocalipse, pode parecer pouco atrativa. Diriam: Tá bom, quis a vida toda chegar aqui mas será que não tem um outro lugar menos tranqüilo (e mais emocionante) pra gente ir nos finais de semana pra variar? O céu só é maravilhoso, para ele, enquanto não se chega lá. Como disse Cazuza: "O tédio é o sentimento mais moderno que existe". No céu, esse homem, dado que seu coração (e sua essência) não mude, terá saudade da terra ou irá querer fazer algumas modificações no cotidiano celestial.

Essa insatisfação contínua nos é típica e é o motivo principal dos nossos esforços de construção e desenvolvimento humano. Corremos, porém uma corrida cuja a linha de chegada é conhecida e pouco atraente, a não ser para os que a encaram com fé na continuidade da caminhada após cruzarem a mesma, fazendo da própria corrida um fim em si, de forma que tolo é quem não aproveita para apreciar a paisagem durante a jornada.

Na contramão dos que sonham com o estado de felicidade permanente estão os que se contentam com uma sucessão de "momentos felizes". Estes são mais sensoriais e optam pelo transitório, mas que se possa usufruir hoje, que o eterno que nunca chega ou chegará, pelo menos para eles. Assim, relacionamentos intensos mesmo que curtos são preferíveis que relações duradouras, mas mornas. Não se tem intenção de construir nada mas aproveitar cada segundo da vida como se fosse o último. Muito embora sejam cônscios da brevidade dos prazeres que buscam, preferem gozá-los que passar a existência numa busca pelo eterno. É a forma de pensar adotada pelo autor de Eclesiastes, o rei Salomão, ao dizer: "Disse comigo: vamos! Eu te provarei com alegria; goza, pois, a felicidade; ... tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei meu coração de alegria alguma ...". No entanto, a conclusão dele sobre essa busca é a mesma que teve com relação a de que a felicidade viria pela construção de algo permanente, uma grande obra por exemplo, de que tudo no final "era vaidade e correr atrás do vento" – Ec 2.

Depois dessa afirmação pessimista desse expoente bíblico que praticamente esgotou todas as formas de busca humana de significado do que vem a ser felicidade, inclusive a própria busca de sabedoria, ficamos num impasse. A felicidade é uma meta individual comum a todos nós, seja ela explicitamente declarada ou não. No entanto, somos avessos a pontos de chegada e nos sentirmos contentes com o que temos, ao mesmo tempo que gozar a vida sem um propósito claro, um sonho, um objetivo, nos parece irracional e fútil para a maioria de nós, mesmo que ao alcançá-lo precisemos de outro, já que o anterior perdeu sua significância.

Sem querer concluir, como falei antes, mas tentando fechar esse texto, me parece que a felicidade está mais próxima de quem consegue entender e aceitar essas duas realidades da vida. Primeiro a de que nada que conquistemos nos fará mais felizes que o ato de conquistá-las e todo o processo aí envolvido e, segundo, que nada estragará mais a nossa felicidade que a ansiedade com relação ao que não se tem. Saber gozar a vida dentro das suas possibilidades e relacionamentos atuais é uma arte. Nesse espetáculo que é a vida humana, em sua breve passagem por esse mundo, somos ao mesmo tempo autores e atores principais das nossas próprias peças, que escrevemos com as nossas ações e sentimentos do dia a dia. Nossas obras poderão influenciar e ajudar muitos nas suas jornadas e, como todo artista, nos deliciaremos com o aplauso, como uma confirmação de que fizemos bem o que tínhamos de fazer. Ser feliz, porém, é saber dar importância ao que é importante, que normalmente não custa mais que uma atitude, e através disso trazer a outros, e não só a si próprio, essa sensação de felicidade. Assim, o contentamento do ator advindo do aplauso vem também porque o público ficou feliz com a sua atuação, ou seja, ele contribuiu para a felicidade da platéia, nem que seja por um momento. Este momento, porém é único para ambos e vale toda a pena.

Façam as suas escolhas, mas sejam felizes fazendo-as! A responsabilidade sobre a sua felicidade está nas suas mãos.



Belém, 02/11/10


 

Monday, November 01, 2010

Comer, Rezar e Amar – O outro lado da moeda

Li a pouco numa revista um artigo sobre o filme bem diferente do usual que me fez refletir nos nossos paradigmas de pensamento. Paradigma é uma janela pela qual vemos o mundo. A questão é que dependendo da posição da janela, altura e tamanho, o mundo visto por ela pode ficar bem limitado. Pois bem, imagine o seguinte; você não sabe nada do filme ou do livro e eu lhe conto a seguinte história:

Um jovem professor de direito em meio a uma crise existencial resolve por fim a seu casamento com sua mulher escritora e sair pelo mundo em busca de alivio para seu dilema interior. Vai para Itália, conhece novos amigos, desfruta dos prazeres da mesa, depois passa um período na índia procurando elevo espiritual e por fim passa uma temporada em Bali onde encontra uma latina "caliente" por quem se apaixona e se casa.

Agora me diga; você pagaria 200 mil dólares pelos direitos de publicação de uma história assim? No mínimo minhas amigas leitoras ficariam revoltadas com essa história e com pena da "coitadinha" da esposa, não interessando a contribuição da mesma para o fim do casamento, mesmo se ela fosse descrita como egocêntrica voltada somente para os seus projetos pessoais, seu novo livro, por exemplo.

Troque o papeis e o que temos? Um sucesso editorial e um filme inspirador.

Michel Cooper, o professor egocêntrico retratado por Liz Gilbert, com quem foi casada, conta em seu livro "Displaced", que nunca chegará por razões óbvias ao sucesso de "Eat, Pray, Love" da sua sua ex, como foi sua peregrinação após um divórcio que, segundo ele, o destruiu emocionalmente. O nosso professor "egoísta" é um ativista dos direitos humanos e se "encontrou" participando de missões em países com conflitos armados ou vítimas de desastres naturais como Kosovo, Mongolia, Iran e Iraque, roteiro turístico convenhamos bem menos atraente que o de Liz.

Não sei ao certo se numa dessas missões apaixonou-se novamente dessa vez por uma diplomata canadense, Béatrice Maillé, com quem tem hoje dois filhos.

Calma meninas! Não estou tentando crucificar ninguém! Continuo adorando o filme e a história contada por Liz Gilbert.

Só queria abrir uma janela do outro lado da casa ... onde os homens não são os únicos egoístas desse mundo, sofrem com as separações (e não só caem na diversão quando isso acontece!) e demoram a reconstruir suas vidas abaladas pelo episódio. Não interessa o que tenha realmente acontecido entre os dois o fato é que encontraram um caminho melhor para ambos apesar de tudo.